segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Ele era alto
forte,
esguio,
não reclamava
nem me xingava
não tinha olhos pra outra
não saia escondido
sempre me dava luz
tinha força
era elétrico, mas em calmaria
poderia me matar com sua energia.

Ninguem entendia, esse meu amor pelo poste.


Corre, disse a tartaruga,
atreva-se, disse o covarde,
estou de volta, disse um cara que nunca foi a lugar nenhum,
salve-me disse o salva-vida,
sei que foi você, disse o culpado.
Não grita comigo, disse o surdo,
hoje é quinta-feira, disse a terça-feira,

E você...
Não se perfume com palavras para me dizer, não quero parecer ser, eu sei o que sou, deixe-me só comigo, com o íntimo inimigo que vive de pensão no meu coração.
O receoso, o rato fugitivo, o mais escuro dos dois, o parente pobre da dúvida, o que nunca tiraria a roupa se eu não tirasse primeiro, o caprichoso, o orgulhoso, o outro, o cumplice, o traidor.
A você estou falando, a você estou gritando, a você que está metido na minha pele ,a você que está chorando aí, ao outro lado do espelho. A você, que não devo mais, a que me deu um empurrão, a você que ja não é mais o que era no segundo anterior, e no anterior e no anterior, a você que me levou a escrever este texto, que eu não escreveria um mes atras, e seu eu o lesse, não entenderia um instante atras.

Não minta, disse o mentiroso,
boa sorte, disse o azarado,
cuide da alma, disse a mulher que bate no filho a noite,
vá para a igreja, disse o homem que trai a mulher,
prove-me, disse o veneno,
e ama-me como odeiam os amantes.
Corre, disse a tartaruga, atreva-se, disse o covarde, estou de volta, disse um cara que nunca foi a lugar nenhum.
Mas se nunca foi a lugar nenhum?
Corre corre!