quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Ano que vem só quero chuva no meu quintal
Um amor fora do normal
E estampar meus dois homens na parede da alma.
Minha calma.
(Quero nosso tapete na sala
E nossa alma dilatada)

Daqui pra frente quero lembrar a todo momento de quem sou
Não me vender e nem me emprestar
Deixar a sujeira pro lado de lá, bem longe da sala do estar
Quero soar como uma gota escorrendo numa folha verde camurça, leve, suave e transparente
Quero que minha loucura tenha desafetos brutais com minha lucidez, e que as duas prometam não tentar me entender.


Um ano novo bem novo pra todos
E um beijo com tudo que desejo!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009



E o que eu posso fazer, se eu sou inteira amor
Inteira cor
Ao mel meu sabor
O que posso fazer, dissabor?

Se sou o azul do céu
Se um pedacinho dos dentes me vale por todo fel

O que posso fazer se o charme me acompanha
Ou se eu o vejo em todo lugar
Até no mais cinza do escuro vejo o ar
(da graça)
De graça.

Hoje eu acordei
Meio assim, azul bebê
Liguei o som, e as notas me sorriram, precisa ver
Depois as comi com azeite de dendê
Sorri para uma flor que passava correndo
Não sei se sou eu que a vejo, ou se ela quem me vê;
Formas, desenho
alças, enredos...
(Me és tudo tão imenso)

E o que eu posso fazer, se eu sou inteira amor
Inteira cor
O que posso fazer, dissabor?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Quando voltam meus cabelos?
(deixei que desbravassem lugares, alem da minha própria cabeça)
Hoje é dia de espetáculo: "A acrobacia do desajeitado"
Com pernas de pau, corro atrás de mim mesma 
Amarro os infortúnios com um lenço.
(O mesmo que uso pra limpar os joelhos)

Quem anda me testando alem de mim mesma?
Verbos que martelam meus vermelhos pregos soltos
Cabeça-moinho
só tenho medo de tiro

e da onde não me acho, me retiro.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009



Onde vai menina minha?
Perguntei quando a vi saltando pela janela de mim.
- Me despeço da onde já não há lugar pra mim, está na hora, óra.
Não gritarei mais com você, não vá.
-Eu vou sim, mas volto, caso algum capricho seu suplique por mim.
Me sorriu com aquele ar estonteante e saiu, mas eu sei, que não iria muito longe.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009


Meus pensamentos são traiçoeiros
Andam me fodendo inteiro
E me chicoteando sem roupa embaixo do chuveiro.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009


Eu disse que a menina era confusão
Eu não escondi, eu gritei em confissão
Coloquei fotos dela por todo canto, até no porão
Mas você não me ouviu
Quis ouvir esse coração
Agora, agora, ela mora em tuas mãos
e em todo resto, sete anos sem perdão.
Sua menina confusão
Mora numa laranja e acha que tem o mundo nas mãos.
Loucos são aqueles que saem de madrugada da segunda-feira pra beber cerveja
São aqueles que saem rodopiar pela chuva, pingos e pingos na cabeça, pés nas poças e a gripe? Que importa? Que gripe?

Loucos sentem-se felizes por estarem assim, em paz, em turbilhões, ficam felizes de ver o sol pela manhã, pelo cheiro de um café quentinho na cozinha, por seu amor ter ligado só pra dizer bom dia, loucos ficam felizes com o que os outros julgam pouco, não tem nem dinheiro, esse cara é louco!

Esse louco tem várias histórias no bolso, um amigo em cada porto, um brilho no olhar de quem sempre será moço.
Loucos não envelhecem, loucos acham poesia nos cabelos brancos, loucos correm pela praça, abraçam desconhecidos e deitam pra dormir nos bancos.

Loucos passam horas a olhar o céu, mas não aguentam cinco minutos nos shoppings, loucos choram por pouco, por dores que nem são deles, loucos conseguem ver cores no mais escuro da escuridão, loucos estão se fodendo pras matérias, pra tendência da época, loucos querem ver confetes no ar, querem tirar a tarde pra descansar, loucos querem entrar nos sonhos, esquecer a cabeça por lá, ter sapatos que podem voar.
-Loucos veem as árvores dançar, a noite sorrir, a lua piscar, um ar de charme em cada ar-

Então, você não é louco.
Me desculpe. Você é mais um. Só mais uma decepção.
Um bom dia.
Uma boa noite
Que hoje, ahh, hoje eu quero brindar!
(De mãos dadas com o luar)


Eu inocento meus demônios


Dou liberdade aos meus perigos


Meu ego é sem juízo


E meu arbítrio segue disfarçado


Numa cruel e sarcástica sensatez.
Disse baixinho: -Bando de miseráveis olhando para próprio umbigo cheio de banha de tanto se empanturrar.
-Com licença!
(Na tradução, abaixo da tela, leria-se nas letras amarelas: -Estou com pressa, preciso correr vomitar!)
E ainda preciso nos equilibrar a meio fio sobre esses dejetos todos
Assistir sobressaltos de lagartos gordos
Repita comigo: -Dobrar a esquina sem olhar.
Mais cinco vezes. Repita.
 
(Sentindo as vértebras oscilarem, ela tentou demonstrar uma falsa força
Acendeu um cigarro iluminada pelo ciano das lágrimas
Nem chegou a colocar na boca, apagou como fazem com as solas dos sapatos.
E disse ao espelho com seu ar de coragem: -Você precisa de uma tática.)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009


Um pedaço do caso, do parto, do retrato
O namorar da lua e a miragem da rua
Sapatilha nua
Sou um milhão, sou ninguém, sou parte, sou arte
Sou o chorar da dor, em cada esquina, o dissabor
Sou o vibrar do amor, sou um coveiro, sou um cantor.
Carrego no peito tanta coisa, não sei como agüento o peso
As vezes me soa leve, as vezes quero que meu peito me carregue

Sou maestro, sou o medo
Sou teu espelho, sou o desejo.

Não paro de queimar, não paro de arder
Sou a sexta-feira, sou a segunda de manhã
Sou o que os olhos vêem, quando abrem, toda primeira vez
Sou o que a alma sente, moro na tua mente, sou o teu beijo mais doce e teu beijo mais quente.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009



Me perdoe por ser assim
Imatura e profana;
A viver a me esconder em mim.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009



-No café da manhã, abro o jornal editado em meu quintal
As palavras em desordem soltam do papel;
E se movem ao som da música (soltos pelo céu)
Me confundo se são lindos passarinhos
Ou se são meus escritos, ousados andarilhos-

Minhas palavras, meu latim, meu motim, são exatamente como gostaria que me descrevessem
Tudo, tudo faz parte do treinamento
-exceção à regra-
Pode ler em meu pensamento.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009


A noite me convida pra dançar.
E as nuvens não nubladas brincam de esconder e mostrar os segredos do céu;
Um azul escuro mesclado com beleza tamanha, e as palavras me faltam;
A ternura entra em meus olhos, posso dizer quem sou um soluço no pensamento, em lembranças de instantes anteriores, de instantes seguintes...soam em câmera lenta.  Dos meus mais íntimos instantes, dos mais mudos e escondidos instantes em que minha mente deleita-se, eu posso dizer quem sou em parcelas de segredos, porque eu sou mistério e não sei ser outra coisa. E se o oculto não me fosse assim tão natural, a loucura me varreria, como as loucas varridas que enlouquecem pensando em serem normais. Posso dizer que ao saber de mim, poderá me imaginar, que ao olhar pra mim poderá me sugestionar, que ao me escutar poderá julgar-me, e ainda assim, não saberás de mim.
Pois sou a nuvem que esconde estrelas e sou estrelas que brincam sob as nuvens.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dance-me até eu ver a beleza como um vinho ardente derramado em meu vestido
Dance-me através do pânico, até onde eu possa me sentir segura
Eleve-me além do cume;
Mostre-me lentamente aquilo de que eu só conheço até o limite
Dance-me ao casamento agora, sem papéis, somente estrelas sorrindo como testemunhas
E amanhã e sempre mais um dia
Dance-me, outra vez
Dance-me mansamente com seu olhar e congele o tempo
Dance-me até sentirmos nossa luz
Até colorirmos todas as paredes do infinito
Gire-me atrás das cortinas dos nossos beijos
Toque-me com sua mão nua

Nua.
Com a inocência de uma criança
E com a voracidade da flor da idade, até ver minha pele queimar
Entrar.

Toque minha alma
Eleve-me
Beba-me
Mate-me
Dance-me até enquanto eu viver pra morrer (de amor)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Andando pela rua, por cima do relógio de ponteiro nenhum
As pessoas são como borrões, o cenário se perde em meio as emoções, e eu me pergunto se eles existem ou se eu os invento diariamente.
O turbilhão na cabeça faz com que a visão dê um giro junto ao corpo, mas não se fixa em nada.
Nada que faça sentido.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009


Eu não preciso do muito
Eu não preciso das teses
Não preciso dos confetes

Dia desses exagerei na pimenta
Passei um café fraco
Até corri, mas na estrada só havia buracos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Decidiu que era hora de deixar o gás aberto.
Como quem não tem culpa nenhuma do mundo, foi até a cozinha, abriu o gás e saiu sem olhar ao redor, não que fosse doer ver as pessoas com os papéis, lutando pelo melhor pedaço de pão.
Comer, estocar, juntar, encher, esbanjar.
(Possuo carros, muito estacionamentos, lojas, e toda essa porra Ha, ha, ha)
Conversando com sua mente: Eu posso ver facilmente dentro de você.
E sentiu vontade de explodir
(e o que me restou além dos braços cortados?)
Já na praça que dá de frente ao prédio, acende um cigarro, decide que não pararia de fumar, aliás, corre e compra uma cerveja antes do espetáculo, seria alcólatra por toda sua vida, depois que decidiu isso, deu um sorriso de satisfação.
Agora está sentada tomando cerveja quente e esperando aquela vida pipocar.
Lembra que deveria tirar a roupa suja e jogar lá dentro para explodir com todo o resto, isso, fica nua. Coberta por sua alma, não sentia calor nem frio, a temperatura estava perfeita.
Volta para suas cervejas.
A claridade e o vermelho com amarelo fogo lhe reflete na retina, imóvel, com os olhos estalados assiste toda a parafernalha queimar, enquanto chegam os bombeiros, pega um cobertor pra cobrir seus medos e segue até a próxima estação.
Agora mudaria de nome, identidade e religião.

sábado, 10 de outubro de 2009

Coloco um vestido xadrez, me sento pra jogar comigo mesma
Tomo uma taça de doce melancolia
Embebedada por amarga lucidez.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009


Não escondo-me no armário, mas dou de encontro com o confuso do que me expressa ao tentar disfarçar a minha loucura.
A vida e seus tantos sentidos (ou a falta deles) fez de mim esta implausível mistura, onde flerto com os imperceptíveis detalhes dos instantes que me pertencem, como quem delicia um insexto.
Debruço sobre a janela e aprecio o perfeito que há em algumas imperfeições.
E ainda que o mundo desistisse de mim;
Eu , comigo permaneceria, no agridoce sabor deste meu alimento, nesta melodia , minha eterna canção.
(se passar por aqui, pode me ver dançar pelo salão.)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Em protesto, vou me riscar toda
Pintar todo meu corpo com cores vivas
E ficar nua em praça pública.
Com imponência, equilibrarei as lágrimas em meus olhos, para não deixar cair.
Eles não as merecem.
Se acaso cair alguma, trato de lamber e engolir, me alimentará.
Mas no chão, não deixarei cair.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009


(Entre um rosto e o retrato
Real e o abstrato
Entre a loucura e a lucidez
Entre o uniforme e a nudez
Entre o fim do mundo e o fim do mês)

Entre a verdade e o soco inglês
Entre os zumbis esperando por sua vez
Entre o fiel virando freguês
Entre as de plástico e as com cheiro
(Meus rins por seu dinheiro)
Entre abril e outubro
Entre a (há) porta para outro mundo
Entre lençóis e a plenitude
Entre as mentiras e as verdades
(na cova dos leões, e meu escudo azul de vontade)
A solidão e a pluralidade
Entre um café e o fim da tragada
Entre o presente e o futuro na mesma estrada
Entre a mutação e a divindade
Já chorei, ja sorri, ja sorri e chorei, já fiz tudo isso novamente junto freneticamente
[Eu me sinto feliz]
Meu Deus, como me sinto feliz!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A menina cor de gelo me mandou uma carta:
"Eu já pedi para a emoção que se identifique. Mas nem um sussurro, uma mera palavra, ou um xilique. Permaneço perdida neste monólogo sem platéia e reação, de cara a cara com a face da razão"
Foi aí que comecei a correr, comprei um envelope e chorando coloquei um estilete embrulhado num bilhete, enviei a correspondência (com um selo vermelho).
E eu, que as vezes queria impedir a forma com a qual meus sonhos me invadem, a velocidade com que rasgam minha imaginação, fiquei sentada, ouvindo o som do realejo nas fotografias em que me vejo. Me lembrei do que havia escrito no bilhete, peguei um giz e pus a escrever na parede:
-Se por ventura alguém me perguntar se ainda existo, responderei: Em mim, onde uma morre, outra ressucita.

Foi assim que recebendo a carta, cortou os pulsos.
(sem nem uma lágrima sequer)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Chorando me levou para o lugar mais escuro
E você fez fogo para meu coração
Agora quando corro no escuro
Tenho um coração que ilumina.

Absorvi o Sol na sua forma.
Acordei e você estava chorando
Acordei e eu estava rezando.

A noite eu acordo com os lençóis molhados
E um trem de carga correndo no meio da minha cabeça
Só você pode acalmar meu desejo
(Eu quero ouvir você bater na porta,e quando ela abrir, escutar o som do mar)

Agora, quando corro no escuro
Tenho um coração que ilumina.
E eu te amarei da melhor maneira que eu conheço.
Porque você não crê no paraíso meu amor?
(Paraíso é o sentimento que eu sinto em seus braços)

Me ame por toda a vida, em todas as vidas, vidas inteiras.
Um verso mudo em seu olhar, um grito de desejo em cada beijo
Cada segundo meu, um instante seu
Me ame daqui até sempre, pra depois do infinito, mais longe que o eternamente.

Me há um rígido cofre repleto de ácidos dizeres, vontade amarradas com facas no pescoço de quem não serve pra absolutamente nada (na mente), inerte existente.
E o bom senso de vigia à sua porta, com uniforme azul marinho de listras laterais.
Uma intuição que periga quando me cochicha dissonâncias, e me atrai pensamentos parasitas.
Desalinha-se da minha essência (existência), me envergonha, me intimida, toma autonomia sobre a minha emoção, declara guerra ao meu juízo, faz de mim soldada desta civilização de futilidade plástica. Pobre intuição, me fere e me esfaqueia o peito, pesado amuleto que equilibra-se sobre o elo entre a mente e o coração. Mas se esta me fosse tolerante e me tivesse compaixão, um negro véu encobriria minha fraca percepção, e o mundo faria de mim mais um cego na multidão.
(Protagonista de uma imersa fábula incrédula onde meus sonhos são meros impostores)
E é agradecida que carrego as feridas que me causam, e ao tempo de vida que ainda me resta, um coração que ainda arde.
(Protagonista de uma imersa fábula incrédula onde meus sonhos são meros impostores)
Em contornos ingênuos de reflexo pecaminoso
(Protagonista de uma imersa fábula incrédula onde meus sonhos são meros impostores)
Atravesso as tormentas a nado e bato o pé em falsas águas onde se afundam as importâncias
(Protagonista de uma imersa fábula incrédula onde meus sonhos são meros impostores)

E se não encontrar minhas palavras, as deixe.
Mas devolva-me a cor, deste espelho que me desconfia.
Como a folha ao cair da árvore em despedida.
(Despida, nudez de culpas, extremada franqueza, sem medida)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

www.flickr.com/natalin_guvea

O carro anda, eu fotografo, os postes estão ficando pra trás e a cidade cada vez menor.O amor invade e preenche todos meus sentimentos esponjosos.
Me sinto forte, feliz e forte.

(No riscar das mudanças, compassos metamórficos desenham o círculo perfeito da vida.
E neste ciclo do destino eu me envolvo, num giro perpétuo, ao encontro do meu novo ser-sentir.
O vento me sopra pra longe daqui, algum lugar fronteira com a cor da imaginação)
www.flickr.com/natalin_guvea


As vezes me há um arbusto cravado. Daqueles emaranhados , que se tem a impressão de se espalhar por todo o corpo a procura de um pecado, rasgando por dentro, dilacerando formas de sentimentos e traçando alguns machucados.
Um arbusto impiedoso, seco, espinhoso...que se difunde e enrosca da ponta do pé à ponta da mente, dando nó cego até no próprio ego. Trava a garganta, sufoca e aperta o coração. Seus gravetos pontudos espinham a alma, eu grito rouca, e ele escuta cinco vezes mais alto, testo sua serenidade e a calma. Permaneço imóvel, muda, entrelaçada (ele ou eu na armadilha engatilhada?)
Com eles vejo, sinto, penso, percebo e interpreto cada ferimento visceral traçado e a necessidade em conta gotas. A cada pingo de percepção que brota de despretensiosa interpretação, são como finas gotas de orvalho de um verão que chegam pra umedecer esta minha árvore, me permitindo assim, o perdão de mim.

A montanha me chama, um pouco distante, ela me estende um tapete verde na grama, eu posso ouvir seu silêncio, sentir o vento, fazendo dançar meus cabelos...Eu quero subir, sem pressa e sem peso, ao passo do acumulado desejo, ao encontro do que hoje me vejo, minha plenitude e pluralidade.
Eu e a montanha, a montanha e eu, suaves posturas formadas pelo mundo, rochosas essências à mercê do lapidar de Deus.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009


Gosto de imaginar como seria se eu fosse mais alta e a minha voz mais grossa, se a cidade fosse feita de gelo e o mar sempre quente. Se os gatos não comessem pássaros e eu pudesse ter os dois soltos em casa. E lindo seria se pudesse ter uma jardineira logo abaixo da janela, com tulipas vermelhas o ano inteiro e a fachada da casa das cores dela. E se eu tivesse um jardim...com direito a um labirinto nele, onde pudesse me esconder quando cansasse do mundo.
E ainda uma horta, enfileiradinhas, verdes ,amarelas e algumas pimentas.
Poderia então germinar-me com elas.
O jardim daria pra um lago, e tantas árvores gigantes no meu quintal! (uma daria frutos de chocolate)
Alem de eu imaginar se pudesse voar, imagino tambem como seria se pudesse ficar invisível. Ninguem iria me ver e eu iria ficar sabendo de tanta, mais de tanta coisa.
E imagino besteiras, um monte delas, até mesmo se pro cabelo crescer bastasse apenas esticá-lo com força.
Toda vez que vou tirar sangue acho que vou morrer, a enfermeira vai errar, vai entrar ar na minha veia e tudo vai escurecer aos poucos até eu encontrar a escuridão eterna, ohhhh que morte horrível. Minhas últimas visões, uma enfermeira amadora e algumas agulhas em gavetas.ohh.
Mas nunca morro.
E aquelas coisas de mulheres...Que sexo terá meu filho? Qual serão as cores de seus olhos?
O que vou sentir quando olha-lo pela primeira vez?
Um pedaço meu e da pessoa que eu amo.
E como será sua face na velhice?
E tudo aquilo que todo mundo gosta de imaginar também, como comer de tudo e nunca engordar...isso seria bom, seria sim.

Eu imagino coisas perversas, outras pervertidas e outras tão ingênuas que nem valem ser ditas. As vezes imagino se pudéssemos mudar de nome quantas vezes quiséssemos! Eu já teria me chamado Isadora, Isabel, Helena, Maria... e alguma espécie de nome bicho-grilo na adolescência.

E quanto mais chatos ficamos, mais coisas chatas ficamos a imaginar, porque começamos a pensar que tudo é infantil demais. E quando velhos, acabamos boquiaberta com as fantásticas mentes férteis dos nossos netos, sem conseguir imaginar de onde eles tiram tanta imaginação, enquanto esquecemos o quanto já tivemos dela.
Eu quero é poder inventar infinitos contos de fadas, depois contar pros meus filhos, pra quando estes passarem a contá-los pros meus netos, eles sim, ficarem boquiabertos.

Mas até lá terei que lutar contra tudo que conspira para poder me corromper. E sem empalidecer!
(Exterminar o tal do MMDC)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Enquanto ninguem conseguir me explicar da origem do big bang até molécula de hidrogênio
Eu continuo a ter fé em Deus.
Cérebro de amendoim (como o meu) pra mim, não serve.
Pau no cú do Nietzsche.

Que o padre-robô está mentindo eu não duvido, que a bíblia tem suas mentiras, eu não duvido.
"A fé é querer ignorar tudo aquilo que é verdade."
Mas, cadê a verdade?

O que aconteceria se Nietzsche e Clarice Lispector se apaixonassem?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009


Se eu conseguisse rasgar minha pele
Conseguiria mostrar o que se escondem nas palavras

Se me restasse dinheiro
Eu não estaria sóbria e me manteria selvagem

Ainda bem que o tenho comigo
Ninguem saberia desenlaçar as fitas dos meus vestidos
Ao contrário, me amarrariam com força àquelas camisas.
(feias e sem vida)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Já faz algum tempo que já não sou a garota do espelho
Desconfio que minha alma já não cabe mais lá dentro
Ouço meu acalento
Mas nunca me contento
Já faz algum tempo, que preciso gritar
Gritar e berrar
A calma nunca é suficiente, nunca me contento, pra que me cutucar?
Espelho masoquista de merda.
Talvez eu goste de sangrar, procurar e procurar por ar.
Eu quero a excitação áspera de ser quem eu sou
Nem na escuridão quero fugir de mim mesma. Não precisa amor.
Optar covardemente pela cegueira seria não ouvir os gritos
Mas quem grita, alem de mim?
Depreciativos
Acho que mais para depreciados, desprezados, desacreditados
Desonrados
A culpa é minha? A culpa, que culpa, de quem é a culpa?
Culpa minha se nem de mim eu tratar de cuidar
Se eu ficar sentada com vestido branquinho e reluzente de tão limpo, com cheiro de alvejante da minha mãe, e uma enorme etiqueta pra exibir para minhas amigas, vendo o trem passar, sem ao menos um arranhão, um tapa na cara, um porre e alguns nãos.
A inquietude paralisada, presa, imóvel e inutilizada
Por mais que tente, meus olhos não deixam de brilhar e quando me levantar, atearei fogo às minhas antigas vestes.
Quero acordar toda manhã contigo e fazer amor, pra me lembrar de quem eu sou.
Pra sorrir orgulhosamente de quem somos e do mundo que temos, dentro da gente.
E do nosso espelho, que nunca conseguirá nos refletir totalmente
Me molhei toda, mas se não esquecesse a janela do carro aberta e tivesse que sair correndo no meio da chuva para fecha-la, não seria eu. Seria apenas mais uma pessoa seca, vendo a chuva da janela.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Novo Blog

Andei cruzando alguns mares e estou descobrindo coisas legais que resolvi compartilhar (sou legal haha)
Fotografia, música e afins
(Pra quem estiver afim)
Sejam bem vindos e tragam a bagagem!

www.dasdescobertasdela.blogspot.com

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Imagem: Brotherus

Detesto sinopses, trailers e tudo que indique o que vou ver.
E quando vomito e engulo novamente, o gosto já não é mais o mesmo.
Achei tantas coisas na minha gaveta que fiquei assustada de como pude guardar aquilo por tanto tempo.
Peguei a caixa toda, fui correndo, como se estivesse atrasada, mas muito atrasada, correndo e o vestido ficava enroscando na minha perna, cheguei lá quase sem ar, olhei pro mar, pedi desculpas, e joguei todo aquele lixo.
O mar ficou com uma mancha gigante, parecia petróleo, mas ele me sorriu e disse que era forte o suficiente pra dissolver, o agradeci e fiquei parada à sua frente por três dias, até que o vi azulzinho novamente.
Fui tirar um raio-x, pude ver meus ossos, achei meio sem cor, falei pro médico - Que sem graça doutor!
Ele disse, você veio pra achar graça ou saber o motivo da dor?
Saí de lá um pouco confusa.
Peguei o raio-x e coloquei à minha frente na frente do espelho, e pensei, como posso ter tudo isso aqui dentro e nem vejo?
Esse negócio não está com nada, se não sairia colorido, com letras ofuscantes escrito INFINITO.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Mulher é um bicho desgraçado
Por isso as vezes prefiro ser homem.

Passo pela sala e escuto algo com três mortes
Não é meu filho, nem meu irmão, nem meu amigo
Pego o jornal com meus pés pra cima e leio um fogaréu queimar o bairro
Meu mato, meu, mas minha casa continua intacta
Eu que te mato, eu que te queimo.
Vou na missa pedir perdão
Com a cabeça baixa de vergonha e sangue nas mãos.

terça-feira, 1 de setembro de 2009


Havia esquecido como era gostoso andar de bicicleta
Coloque música boa e saia pedalar
Sinta o ar fresco da noite
O vento na face
A música na alma
A calma e a euforia dançando juntas na avenida
Junto com as luzes que deixa pra trás a cada segundo
Pessoas passando, pais brincando com os filhos
Senhores papeando sobre a vida
Como é gostoso sair pela cidade com a cabeça perdida em planos
Pensamentos dançando
Poros abertos para entrada da plenitude


Acho que encontrei minha doçura.
Estava perdida embaixo do sofá
Não sei por que não procurei lá antes, sempre perco as coisas por ali.

Dos dias que acorda chatamente psicóloga.


Não me conformo com essas mulheres que esperam que tudo na vida seja um homem.
Ficam esperando que a felicidade venha com algum deles.
Um pinto não faz a felicidade de ninguem, se fosse assim poderíamos todas comprar uns vibradores e sermos felizes pra sempre. Andar de mão dada nem sempre é andar com a alma dada, tentar ter que mudar sua vida, suas roupas e sua rotina por que alguem não gosta dela é o cúmulo do cúmulo do cúmulo (quantos cúmulos)
Isso a gente aprende com o tempo.
Garotas, ga-ro-tas do meu Brasil, primeiramente procurem ser felizes sozinhas, não depender de ter que ter alguém pra ser feliz, você é um ser único, irradie luz, curta seus amigos, os faça de verdade, plante sementes, leia, aprenda, ouça música, dance até virar o dia.
Assim, quando chegar alguém pra somar sua vida, você vai saber que uma essência completa a outra.
E ele vai te amar até com pijamas velhos de moletom e o cabelo parecendo uma couve-flor de manhã.
É sim.
Beijos.

Foto: Exemplo de cabelo couve-flor.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Bom dia espelho
Tudo bem aí desse lado?
-Ah, ainda me sinto presa.
Poxa, deve haver alguma maneira de se libertar, vamos pensar!
-Não adianta, essa é minha sina.
Como assim, ânimo menina, ainda temos um dia inteiro, uma semana inteira, um ano de complemento e uma vida para experimento!(Sem contar que deve ser muito chato aí dentro)
-Vá, rodopie pelo seu dia, eu fico aqui, por mim, por você, por nós.
Eu vou, mas voltarei para salva-la, eu prometo.
Essa semana não vou fazer nada não
Essa semana vou ficar parada olhando pro relógio
Essa semana vou fazer marcações em cada dia que passar do calendário
Talvez eu durma essa semana inteira
Talvez eu fique jogando pedrinhas no rio
Talvez eu me esconda embaixo da cama até ela passar
Essa semana estarei muda, não quero mais falar
Essa semana talvez me falte ar, estarei roxa na sexta.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009


Já que as jaulas estão aí pra me atormentar.
Cantam parabens na cozinha
Não me convidam, e eu fico feliz.
Quero me trancar até a hora passar
Tenho ainda uns céus pra voar
Algumas coisas pra ver de lá de cima.
Ainda ando me cortando pra certificar-me que posso sentir
O medo filho da puta acha que pode ficar grudado em meu sapato
Justo meus sapatos verdes, que eu tanto gosto.

Eu gosto de ainda receber canções de amor
Gosto de ainda poder riscar na parede o quanto o amo
Eu gosto de querer ouvi-lo todo dia
(na verdade, eu sempre quis morar na lua)
E tantos outros planos para os próximos oitenta anos
Eu gosto quando as pessoas dizem que é impossível.
Nesse mundo podre onde nada e ninguem sabe mais o que é
Matam, metem, mentem, atrofiam a mente
Ainda posso respirar.

Vou trocar de sapatos.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A menina tinha medo de crescer tanto e bater a cabeça no teto
Ou de diminuir tanto que só acharia passagens junto aos ratos
De tanto coma-mes e beba-mes por conveniência
Mandou tomar no cú a jurisprudência
Tratou de ser ela mesma.

Foi feliz a vida inteira.
Tenho um caso de amor comigo mesma
Sempre me desculpo, me perdoo
Me absolvo

Me alimento da loucura
(deram-lhe este nome)
E sempre a coloco fatiada em meu jantar
Engulo tudo e observo meu corpo degustar
Jogando pela diversão
Já disse que rio do diabo?

Essa panela anda com ingredientes que eu não coloquei
Uns elementos juntara-se com outros, que geraram outros
E continuam em mutação

O gosto?
Não sei se ainda há muito açúcar...mas há.
Sinto a pimenta, e não sei dizer ao certo a quantidade
(Páprica doce e picante, à vontade)
Cimento enfiado na minha garganta me amolece
Depois fortalece.
A quantidade certa de sal
(as vezes choro tanto que o mar que eu faço desanda o salgado)
O cheiro do alecrim, o cheiro (do) verde
Danço tangos com a salsa
Solto os louros no ar
O fermento em demasia
(quem derrubou o pote? Ou eu caí no pote?)
O coloquei nessa panela para ferver
(E como engrossou o caldo)
Está colorido, cheio, com temperos novos e sabores exóticos antes nunca degustado
Luz, e ainda nela posso ver tanta luz
Será alguma técnica nova, senhora cozinheira?
(Tenho um caso com o desencontro)
Me assusto, me encaixo, me encontro
Papilas em evolução, para aguentar o gosto que ainda não conheço
Não vou morrer envenenada
Gosto dos venenos.

Não sei o final, e nem o que vai dar tanta mistura...
Mas não estou preocupada
(Pangramas em uma palavra)
Engulo o tudo.
De dentro da panela, agora, me misturo com ele
E posso ver o mundo.
(dez anos ou um segundo?)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Dos cacos e migalhas

Ofertas e trapaças

E essa minha vontade

de sair encher a cara

Preciso do sangue borbulhando

Palavra codificada é absolutamente desnecessária

(Ao corte da navalha!)




Coisa número um
Eu odeio passar fax, odeio, é chato, demorado, enrosca aquela porra, acho que ele tambem não gosta de mim.
E eu sempre fico imaginando o caminho que ele percorre pra chegar ao outro lado.

Coisa número dois
Odeio pessoas estragadoras de regime, eu odeio academia, mas eu vou né, com todo esforço do meu Brasil, minha mãe disse que eu tenho que fazer pelo menos alguma coisa pela minha saúde. Ando por horas, depois eu deito no meio da academia e fico recuperando minha vida em profundo suspiro longo e descompassado, as velhinhas olham perplexas e sempre tem uma que fala pra professoa que estou passando mal.
Tenho sorte por voltar a viver.
Mas isso não é tudo, chego no trabalho como uma mulher concentrada que sou, não como, apenas café preto com o suculento adoçante, almoço pouco, me sinto orgulhosa.
-Oi Ná, olha só, minha mãe faz sonhos pra uma padaria, e fez a mais para todos aqui da corretora, os suculentos e gostosos sonhos de creme branquinho e pão sequinho.Quer?
O sonho me sorri.
Filho da puta.

Coisa número três
Tenho que parar de imaginar as pessoas do banco sem roupa, haha
Todas metidas e com os egos inflados por que são alguma coisa porque trabalham no banco e atuam nas áreas jurídicas e bla, quanto mais escondida a sala mas eles abrem a penugem de pavão pra passar.
Todos pelados, andando com as coisas balangando
Tenho que parar mesmo, devem me achar uma garota com problemas mentais, por rir tanto pro nada.

Coisa número quatro
Quero minha escova de dente namorando a dele logo, vou imaginar isso toda vez que eu ver as duas juntas num potinho, quero tambem tomar sopa no inverno e andar de camiseta compridona e meias pela casa.

Coisa número cinco
Chegou mais uma multa lá em casa, avisa os caras pra pararem de mandar porque eu não vou pagar tudo.
Sou a rainha das multas.
Não tem a rainha dos caminhoneiros?
Poderia ter um calendário com fotos minhas lá no Detran.

Coisa número seis
Tenho preguiça de telefone, que aliás tem vida própria, sair viajar sozinho e eu preocupada com sua saúde, vivo a procura-lo.
Tenho preguiça de msn tambem, responder email e essas coisas.
Mas gosto de todos meus amigos numa mesa de bar (let's go)
Coisa número sete
Não tenho paciência pra ouvir as pessoas falando dos cachorros de estimação e do quanto são fofos
Quase morro!
E tambem para aquelas conversas de que namora uma semana, ele me deixou, e aí agora não vivo sem ele, aaaaaaaaaah nãoooooooo, bem na hora do almoçooo (antes do sonho)
Um saco plástico na sua cabeça, melhor solução.

Chega das coisas
Se não elas não param de coisar.

terça-feira, 25 de agosto de 2009


Suando, tremendo, vomitando a abstinência da falta de uma maldita máquina fotográfica que salvaria minha vida nessa terça-feira chata e cinza.

Eu sou uma bruxa
E logo mais vão me queimar
E eu aqui, sorrindo com a boca do oceano
Rodopiando com pétalas de felicidade nas mãos
E três corações dentro de mim
(não posso sentir o fogo)
Posso acenar a felicidade pra vocês, mas talvez não enxerguem, estou no topo da montanha.
(da onde desenhas realidades em mim)

Você é velho demais pra sonhar?
Da minha janela pude observar um perdedor ferido, a boca costurada com linha preta, tive medo de ser o espelho, fechei a janela e me vi de joelhos.

Foto por mim: http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=39&id=95271

segunda-feira, 24 de agosto de 2009


Enquanto cavava e cavava
Procurando o porque dos porquês
Doía-lhe a cabeça
A bomba relógio num tic tac infernal
Amortecida, procurava anestesiar-se
Mas nenhuma, nenhuma droga que absorvesse faria fugir dela mesma.
A droga era ela.
Não ,não puxe papo comigo, se as palavras não vão alem do seu umbigo.
Faça uma cova aí do lado e as enterre
As mãos doem, mas teria que continuar cavando
Queria mesmo era encontrar um mar
Deitar e descansar
Mas o barulho do relógio a lembrava todo o tempo que a palavra era continuar...
A água do seu corpo estava a secar
Sentia uma moleza invadindo
A luz do sol estava ficando escura
Os olhos pesados já não conseguiam ver luz em parte alguma.
E então, acordou...sentindo o corpo suado, abre os olhos e o sente atrás dela, encaixado, com suas mãos em volta de seu corpo.
Da sua alma.
Sente um sorriso singelo na face, não se move, fecha os olhos e descansa em paz.

A certeza agora tinha nome, cor, sabor, e um pijama engraçado...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Na penumbra
De uma sacristia
Fantasia minha?
Por tanto tempo
Não, corra sentimento.

Cinco dedos entortados
Acenam uma despedida
Partindo da terra de troca de tiros
Comportamento sub-humano
Troca de rins
Confies em mins

Em elevação
Vagão por vagão
Há um espelho interior
Vem da mais escura visão
Só eu sei
Só eu
Egocêntrica alegria
Esquizofrenia

Vagão por vagão
Ande mais um pouco
E já estará em outra dimensão
Que elevação
Que evolução?

Vozes veladas
Vozes aveludadas
Murmúrios na noite
Pensamentos
Pessoas aqui dentro correndo

Silêncio!

Há chuva de bolas de fogo
Não adianta se esconder

Estou indo;
Subir encontrar a lua
Elevação
(Pálida, nua, sua)
Eu não sou essas fotos
Eu não sou estas páginas
Eu não sou linda
Você não me conhece
Eu não sou essas roupas
Eu não preciso de palavras baratas
Eu não preciso de superficialidade
Eu não preciso de coisas pra fazer volume
Oh, ela me disse que eu era antes
Não preciso de beleza.
Não sou modesta
Não sou santa
Não sou puta
Não sou nada disso
Não sou nada.

Sou um nada tentando dar braçadas pra não morrer afogada.
Querido, por favor olhe bem em meu rosto
E tente enxergar o que os outros não conseguem ver.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O probema de tomar cerveja com comida
É a comida.
Onde começam seus pecados?
Me encontre no inferno.


Iah.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Talvez já tenha dito sobre os monstros gritantes dentro de mim
Os que gritam fora já nem surtam efeito, ficaram roucos e depois, mudos.
O porto, ora submerso, tem âncoras, sempre me falta ar
Com tanto esforço, vou arrancar meus pés de lá, ignora-los já não adianta mais.
Calcanhares ficam marcados
(Sangue colore o azul dos mares)
Confundindo os peixes e seus olhares

Não acostumada a dançar ao som de gritos
Queria seu lugar
Seu luar, iluminar
(ou na escuridão dançar)
Suas cortinas, coloridas
(ou poder dormir à meia luz, mesmo com o clarão do dia)

E sua janela
Pode ver a luz saindo por toda fresta?

Sempre pedindo por mais de ti
Do que me contas
Do que me cantas
Do que me encantas

E gritarei muda por mais de ti
Me desnuda
Me inunda
Pesticida delirante
Só você encaixa os pedaços desse ser errante
(tua amante)

Seguirei muda, gritando por mais de ti.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009


Ele tem que trabalhar
Ela tem que ganhar mais

Os papéis tem que estar em ordem, e são tantos
Ela queria morar com ele e teve que conhecer o Senhor Fiador, parente do corretor
Senhor Fiador sempre sério, andava com paletó até no sol e tinha uma pasta preta
Cheia de dinheiro, Senhor Fiador era afiado e tinha dinheiro na maleta
Um bigode esticado e um pentinho no bolso, amarelado

Ela tem que se prostituir
Ele tem que entrar na fábrica cinza e cobrir as cores

Inconstantes e errados
Tiros por todos os lados
Quando eu tiver sessenta anos poderei entender
Poderei sim, rir e gargalhar de mim
Tão sonhadora, pobre menina
A vida não é tão fácil como acha

Se não é fácil, quanto custa sorrir?
Senhor Fiador nunca sorri.
Pobre Senhor Fiador, cheio de dinheiro na maleta
Toda noite, toda noite, sonha com o boi da cara preta.
.

Não é fácil lidar com esse furacão dentro de mim
Talvez eu precise de alguns calmantes pra atravessar o oceano.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009


Dois contos de réis por cada mentira que me contar
É um pouco amargo toda vez que eu falho, mas não há necessidade de desmaiar de verdade quando não estou atuando...abro um olho quando estão de costas, quando vejo alguem se aproximando, fecho rápido e parmaneço imóvel.
É fácil ultrapassar a barreira do som, quando você o tem dentro.
Pareço um pouco pálida?
Está um pouco frio aqui.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009


Enquanto eu vejo tudo ficar pequeno, me conforto e me encontro naqueles braços;
Da alma ao osso.
Nada mais importa.
Tambem acho que não deveria estar aí no meu caminho, pois sou louca, sou doente
Não pedirei desculpas pelos atos fora da lei
Posso assinar algum papel
Posso trocar por alguns outros
Quer?
Pouco o que me importa o que você pensa fodendo
Ou o que você fode pensando
Deve ser a mesma coisa
Daqui, sinto visão limitada, não dá pra ver toda estrada.
Tem alguns buracos, é mal sinalizada, sem ninguém pra informar, sem mapa nem nada.
Eu sigo a direção do que me queima, a nossa essência.
To sem espaço pra miudeza.
Me sinto estranha em ficar exposta nessa situação frenética
Onde tem atenções voltada para a esquelética
Estética mostrando personalidades patéticas
Num ensino sistemático, morte ao carismático (prazer Sr. Abortado)
Essa porra aí não é nada quando se tem tudo
Tudo não é nada quando se tem um mundo.
Você não entenderia
Olha, ela bebe muito dona mãe dela.
Então saia do meu caminho
Pois sou louca, demente, devassa e doente.
Drogada e delinquente

Bú!
Está decidido!
Comprarei todos seus bens, não, nem precisa assinar, gosto de enfiar a faca no teu estômago mesmo, o sentimento de superioridade me faz sorrir freneticamente, não que você veja, meu rosto permanece intacto e com o ar sereno de quem te ajuda, é por dentro, o que me deixa ainda mais gigante.
Mal posso olhar meus pés.
Aqui de cima a paisagem é grande demais.
São só bens poxa, eu mereço, com essa inteligência mereço tudo. Se tivesse estudado não estaria aí do outro lado da mesa, me implorando, e vai saber, ele deve merecer, antigamente podia me aliviar assim, quando ainda haviam zunidos na minha mente.
Magnitude, essa é a palavra, trabalhe quantos anos seu corpo aguentaria, deveria se matar já, posso te ajudar se quiser, você já está meio morto mesmo, só mais um José.
Preciso passar um pano nas botas até domigo, vou a igreja, agradecer tanta benevolência.
-Agradecemos a preferência.

terça-feira, 11 de agosto de 2009


A estrada nunca esteve tão longa
As horas contadas do dia se vão junto com os faróis que passam
Os números só são pra comprar felicidade
Não os quero mais.
Ela para no quilômetro mais escuro da estrada
Apaga a droga dos faróis
E deita em algum lugar em seus pensamentos
Só para observar a vastidão de todas aquelas luzes enfeitando a escuridão.

Não quer pensar em mais nada por hoje.
Podia-se ouvir em sussuros
"Por favor, absorvam-me.
Por favor."

segunda-feira, 10 de agosto de 2009


Quanto custa ser voce mesmo?
Pode pagar a prazo, ou me manda um boleto?
Posso vomitar números e mais números dentro da sua bolsa.
(você pode ficar com os diamantes, eu tenho o brilho dos olhos dele)

Eu ficaria feliz
Me libertaria entao, enfim
Posso colocar uma música, bem alto
E colher todas as flores mortas do asfalto
Espalha-las em meu quintal
(tantas coisas enterradas, tornam esse solo tao fértil)
E ficar ali sentada observando enquanto germinam
enquanto a vida se torna verde
(Flores de todas as cores)
Posso enfeitar meu cabelo
Posso estancar o sangue
Posso cobrir nossa cama

Serei liberta desse corpo
Minhas cores enfim, poderão refletir a manhã
Os sabores

Tuas cores.

domingo, 9 de agosto de 2009


Talvez eu não tenha nada pra dizer
Talvez o nada seja tudo que tenho.

Quem sabe um dia eu me encontre
Bata um longo papo comigo
Qualquer dia, pode ser domingo
Eu vou estar com cara fechada mesmo
Um temporal, vou sorrir pra minha própria existência
Vou me dar um beijo, um abraço, sentir meu cheiro
Não fique com essa cara de bravona
Amanhã é segunda, mas coloque seus sapatos verdes de fé
Aqueles que te levam até pra onde não quer
E descobre um novo caminho, sabe, aqueles?
Pega da caixa, descubra suas asas

Um dia quem sabe eu me encontre
Cante uma canção comigo

Vou estar sorrindo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Entrei no banho e me esfreguei com esponja de aço até sangrar.
Queria me limpar....
Não consegui.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pensamentos sem base nem fundamentos.

Oi tristeza, tudo bem?
Não?
Senta aqui, conversa comigo, me explica algumas coisas. Eu sei que já se vai.
Oi ilusão, me diz se eu te vejo ou não, junte-se, conversa comigo, me explica algumas coisas.
Me explica todo esse teatro da humanidade que fui enfiada como coadjuvante, não explica não, não quero saber mesmo, ainda bem que veio.
Oi medo, porque não some? Sai daqui, é não me convem, não suporto, não suporto você, não, não, eu sinto, eu sou corajosa, eu ...
Eu choro
Sou uma banana filha da puta.
Quando alguem vem e rouba meu pote da verdade, pra que eu o queria mesmo?
E ainda derrubaram meu pote azul, quebrou tudo, espalhou todo, e eu o guardava desde criança, era meu bisavô que tinha me dado, deixou um bilhete ao meu avô, que guardou a vida inteira com tanto carinho, passou tantos sufocos pra que chegasse intacto nas mãos do meu pai, que tinha um bilhete de amor do meu avô, que o inspirou a guardar a vida toda, e no momento certo me trouxe, tem um bilhete que guarda a riqueza de todos os outros bilhetes que eu ainda não li, mas um dia, quando o prazer alinhado com o amor me derem, algo que a dor se transforma em luz, posso fazer um bilhete como este.
Ou melhor que esse.
Mas o guardo, da forma mais bonita.
Mas agora, ele está quebrado, vou ter que colar, e talvez não seque com tanta água que estou produzindo limpando meus livros de história, por ser uma irresponsável, não cuidar direito do meu pote azul e deixar os livros cairem nele.

Oi ignorância, não se envergonhe, fique, me escondo em você, eu gosto de voce, assim como uma caipira de algum sítio abençoado pode ser mais feliz que um físico amigo do químico.
Então, você gosta de ficar por aqui tomando o lugar da informação, que saco, estudos garota, ESTUDOS sua burra, feitos por quem?
Ah, pelo homem.
E o que o homem sabe?
Porra alguma.
Pode ficar querida, não se sinta mal, ignorancia é mais uma palavra inventada pelo ignorante do homem.
Você não é a única, eu sou assim tambem, tenho um coração idiota.
Até o homem mais inteligente do mundo é um idiota
Porque é limitado
Tem a cabeça do tamanho de uma jaca
Com algumas minhocas cinzas, qual não usa nem 6%
E acha que é pensante o suficiente pra saber de todo o universo
Sua vastidão e mistérios
Acha que é bom pra entender o que não entende, se não entende!

O que é o fogo?
-Senhorita leiga levantou a mão!
Bom, o fogo é lindo, pra começar tem uma luz que hipnotiza, e tem vários tons, engraçado que o vermelho junta-se com o azul e as vezes tem tambem o amarelo, um dia sentei-me diante de uma fogueira e pude passar horas olhando e imaginando como nunca havia parado diante de uma e notado tanta beleza, ele nos esquenta, nos aquece, nos fornece alimento, dá a vida, o sustento, se alimenta e nem tem boca, um certo ar de mistério, cara de sério, de quem não veio pra brincar, dá a vida, mas pode te queimar.


Senhor inteligência, faça o favor, explique a esse bando de calhordas cegos, o que é o fogo
-Desde o começo, da molécula de hidrogênio? Ou posso falar só do fogo?

Só do fogo por favor, não temos tempo, o universo está em caos desenfreado.
-ok

Chamamos de fogo o resultado de um processo muito termoquímico exotérmico de oxidação. Geralmente, um composto químico orgânico, os gases de hidrocarbonetos e outros, susceptíveis a oxidação, em contato com uma substância reduçãooxidante (oxigênio da atmosfera , por exemplo) necessitam de uma energia de ativação, também conhecida como temperatura de ignição. Esta energia para inflamar o combustível pode ser fornecida através de uma faisca ou de uma chama. Iniciada a reação de oxidação, também denominada de combustão ou queima, o calor desprendido pela reação mantém o processo em marcha.


A ignorancia e o medo então por saberem pouco, antes de morrerem

Foram condenadas a assassinar.





As vezes eu acho que vou explodir
Bum!
Devo ter uma bomba relógio no peito...
Me assusto sempre com as mudanças
Quando me dou por mim
Quem era mesmo que morava no espelho?
(e me sorria meio de ladinho, assim!)
Sou bela e sou lixo
Beijo a flor mas vomito sangue
Fica tão bonito
(manchas vermelhas por entre o branco embutido)
Como larvas, mas cuspo estrelas
(faço caretas, depois sorrio ao vê-las)
Choro pelos sonhos perdidos
Por sorrisos não dados
Pelo grilo mudo
Pelo grito do surdo

Vou dançar, já volto.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009


Quando foi mesmo que perdi a doçura?
Será que ela se foi junto com meus cabelos?
Talvez seja inútil ter certeza, na dúvida pode haver pureza?
Pureza ainda me basta?
Não me escondo mais de mim, sou a falta de um querubim.
Sou eu que danço descalça na sala sobre cacos de vidro
Eu que digo loucuras de madrugada no seu ouvido
Eu que encaixo minha alma nua na sua
Liberta de qualquer armadura
Ou seriam aquelas estrelas marotas sorrindo;
Vendo o jardim que elas plantaram florindo?
Não quero saber demais.
E não é falta de coragem na minha bagagem
Ainda prefiro tatear
(e me afogar)
Do que a física me explicando a profundidade do mar
Ainda prefiro o amor da nossa casa
Com o ventilador no teto que vamos colar
(misturando o seu, junto ao meu ar)
Do que toda matéria que um dia alguem poderia nessa vida juntar.
Eu matei um homem!
Matei sim, o sufoquei, implorou por ar, mas eu sorri e continuei, logo após a alma dele saiu, o tom de pele já não tinham rubros de carmim, aí a alma dele entrou em mim.
Tinha conhecimento, linear sabedoria, familia, ia trabalhar todo dia, mas não era o suficiente.
Não tinha dinheiro e ainda sim, sorria o dia inteiro, comia o pão que o diabo amassou e ainda agradecia ao Senhor, se o trabalho foi todo do diabo...coitado. Não aguento falta de reconhecimento. O matei mesmo.

Quase matei uma criança tambem, aquela voz de gente que não sabe ser gente me irritava, fazia perguntas demais.
Achava que podia pintar as paredes, achava que poderia ser o super-homem, achava que poderia escrever super homem com hífen.
Um questionamento sem fim, porque é assim? Porque não pra mim? Porque tenho que obedecer tio? Porque não posso ter, tio?
Um saco, e ainda nem sou irmão da mãe dele, tio de cú é rola.
Então pra economizar, iria matar já daquele tamanho mesmo, gritei no seu ouvido primeiro até ficar surdo, arranquei seus olhos para me certificar que realmete não enxergaria, aí já não precisava mais mata-lo, a bondade do homem que assassinei outrora, por algum segundo aflora.
Mas, não enxergaria mesmo e não ouviria, pra mim já estava bom.
E a sua luz, roubei metade pra mim.

Estuprei a Joana, ah, aquela cara de sacana não me engana! Nem a conheço direito, mas não tem problema, meus julgamentos sempre são certeiros. Anda com aquela turma lá, todos dizem que sim, é uma vadia, então deve me dar. Queria era matar, viver pra que? Gostava muito de meio ambiente, que não combina com o petróleo, ia se meter numa daquelas escunas de tontos que se matam por baleias e acham que estão salvando o mundo, iii, muito trabalho.Mas não matei, estava com algo de bom na veia e esperança no estômago, então, só uns traumas já a fariam acordar, quando me sentiu gozar, chorou, a ramificação central do seu cérebro atrofiou, e o excesso da evolução veio para o meu. Só teria uma boa bunda de serventia, poderia até virar uma celebridade se quisesse. Nem que trabalhasse 100 anos como bióloga conseguiria o dinheiro que a bunda a proporcionaria. Uuuh, eu sou muito bom com as pessoas as vezes.
Dona Bunda poderia ser o novo nome de Joana.

Meu cérebro já estava pesado, meus sentidos aflorados, uma confusão de bom e mau, de certo e errado que me fazia chorar e rir.
Mas eu seguia a linha, minha realidade moldada assumida como perfeita, divina e dotada de poderes superiores, precisava de respeito, medo e reverência. Não iria admitir alguem que abafasse minha voz.
Assim eu criei mortos-vivos, surdos-mudos e futilidade mundana.

Sou um gênio, eu sei.

Passar bem.

sexta-feira, 31 de julho de 2009


Não sei se estou ficando muito cheia
ou muito vazia
Coisas me incomodam
E nem tenho mais tanta alegria
Em coisas que antes aqui cabia.

Gosto do tanto em qualquer canto
O talvez as vezes me visita
O pouco nem tem essa ousadia
Engulo e vomito sabias com quem me divide simpatia
Linguas pretas, linguas podres, linguas ternas e linguas doces
Tem uma lingua aqui que não tem lingua
Corre e percorre o corpo e o transcede
Não sabe falar nem dizer o que se sucede
Posso tentar usar os outros sentidos
Mas ainda sim é pouco.
Não sei se esse se alimenta de todos os outros
Mas é meu idioma preferido.

Algumas pessoas não o entendem.
Mas não importa

Saia, apague a luz e feche a porta.
Eles querem cobrar
Mas já temos o mar
Esse foi nos dado
Este, agora somos abençoados.
Dinheiro é sujo
O mar é o lugar.
E é lá que pra sempre, que não seja por corpo, que não seja por carne, mas vamos estar.

Você é lindo amor e estou bêbada. Amanhã estarei sóbria e você continuará lindo.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Saiba pra onde você atira
O tiro volta e estoura seus miolos.

E tem sempre alguém para lhe dizer que chorar alivia, chorar pra que?
Meu sentimento não deveria sequer mover-se por podridão alheia, já tenho que move-lo demais pela minha. Pessoas são más quando querem e quando não querem.
Infectadas.
Só peço, por favor, que você vá e assim deixe ao menos que eu tome meu porre em paz.
Que as minhas qualidades sejam um sinal inconfundível da minha decadência.
Não chore por mim mãe, sou feliz assim.
O senhor da janela com sua bengala me faz lembrar todos os dias que devo aproveitar minhas pernas enquanto ainda as tenho.

Ainda posso lutar contra todos vocês.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Não precisa tentar definir sua loucura pra ninguem.
Só você verá como são as coisas lá de cima.

Apenas voe.

domingo, 26 de julho de 2009


Maldade me entristece
Me revira o estômago
E me faz acreditar, cada vez mais que quero um mundo dentro de mim, paralelo a esse.
Ainda bem que tenho você comigo
De certa forma, me alivia tanta atormentação.
A você que sente o peso da minha alma, ri dos meus defeitos, coloca outro nome neles, tantas dúzias de imperfeições, a odiosa falta de coragem, os excessos condenados por todos os outros mortais, o desleixo com as coisas, a falta de feminilidade...ainda me abraça e diz que sou a melhor mulher do mundo.
Quero casar com você todos os dias, comemoraremos em algum boteco, ou com algumas cervejas em casa, e quando o álcool subir em nossa já entorpecida mente, falaremos de amor, de histórias e canções...poderemos colar o mundo na parede, esse que o nosso corpo não suporta e anda saltando pelos poros, emanando cores.
Vou acordar de manhã ao som do seu violão, a casa cheia de estrelas dançando pelo ar, e com os olhos ainda fechados, vou sorrir e ficar ali mais um pouquinho só pra te ouvir cantar...

O mundo dirá que somos loucos
E isso fará meus olhos brilharem

Nunca mais me mantenha no chão.
Agora meus pés não mais tocarão o chão.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

As vezes eu fico assustada com os monstros que eu crio
As vezes gosto de ter que mata-los
Sempre rio pro espelho quando ele me conta suas tempestades, que sempre acaba rindo pra mim tambem
Embalo minhas dores em caixas coloridas e as coloco bem bonitas em algum lugar que eu nunca me lembro depois.
Nenhuma roupa coube em mim
Vou sair sem roupa pela rua
deixar os ventos frios passarem sobre e sob a pele
Quero rir da cara de espanto das pessoas
Hoje minha unha quebrou, lascou em carne viva
E a unha ficou pendurada, se eu tirasse devagar seria tortura demais
Arranquei com tudo.

Onde acho sentimento sem larvas?
Meus olhos pretos passeiam por toda a vastidão do mar de cabeças
e meu cérebro cinza pensa por que as pessoas complicam a beleza da simplicidade.
Confundem e a distorcem.
Você quem me bateu primeiro
Eu só revidei
Não, foi você, eu te bati porque você me bateu.

Ela então assumiu toda a culpa e decidiu recolher todo ódio alheio pra não propagar
Não era uma madre, na verdade de santa poderia se comparar com o que estava do dedão da Maria, embaixo da unha
Mas decidiu que seria a absorvente de ódios
Assim não teria continuidade e as flores do jardim cresceriam coloridas graças ao seu adubo
Como um trem num trilho, tudo vinha a sua direção, batia no peito, era terrivelmente doloroso, mas ela absorvia com bravura.
A matavam-na a cada dia com beijos e abraços falsos
Com facas penduradas em suas costas
Enfestada de almas compradas e ganância roxa em sua aura
Engasgava com cafés ofertados, empreguinados de chumbo
Ela andava com dificuldade e respirava em quartos de segundo, não sabia ao certo quanto tempo havia se passado, talvez uma hora, talvez mil anos, estava carregada demais e era a hora de acabar com toda a nojeira que estava alojada em seu corpo, não suportava o cheiro.
Afundou com a bebida e escoou pela pia da cozinha, foi no esgoto que os ratos a mordiam, mas era sua sina, chorava de agonia, mas engolia cada rato que via.
Caiu em um rio, a água cristalina deu uma sensação que a muito não sentia, achou uma grama tão verdinha que teve vergonha da sua podridão, subiu até o mais alto penhasco deste mundo, com um sorriso de rainha sentiu que o vento estava a abençoa-la, abriu os braços como para abraçar o mundo, e se jogou, por um instante achou que estava voando.

Finalmente as pessoas teriam paz.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Queria uma parede de alguma coisa pra eu dar facadas até passar toda a raiva que eu to sentindo
Queria gritar até deixar todo mundo surdo
Queria arrancar essa dor como se arranca um filho na hora do parto
Queria matar
Hoje queria afogar
Hoje queria levitar e cair de um prédio onde ficasse tudo nulo
Tudo quieto
Tudo morto.
Ta feliz sua puta?

segunda-feira, 20 de julho de 2009




Conto algumas coisas, conto, canto, invento fábulas...

Tiro blocos de felicidade do bolso
Fatio em pedaços e a como como um bolo

Giro, grito seu sussurar em meu gemido
Esquivo
Me pinto com guache
Sinto sua saudade
Atuo constantemente em palcos vitais
Felicidade atracada no cais
Mas basta um segundo de poesia
Roda, roda, rodopia!
Me leio e me tomo
Te tomo e te brindo
Com a menininha do cabelo liso, eu brinco.

(Fábulas me inventam, coisas contam aos contos, que me contam algumas coisas)

A primeira vez que me assassinaram
Tive certeza que não queria morrer
Optei por encher um balão de gás lacrimogêneo
solta-lo e viver
e viver...e vir ver.

Todas as pessoas já foram dormir certamente
Talvez eu não durma nunca mais
Talvez eu dê um jeito nessa prisão
Logo amanhece, vamos a luta...que luta?
Pessoas mortas em meu dia já não me surpreendem mais, nem me fazem chorar, será que eu fiquei como eles?
Enquanto espero que os remédios façam efeito, tento inalar o pouco dos momentos que me fazem, imagino se a vida fortalece ou se tapas constantes na cara me faça marionete.
Minha mãe nunca me disse nada sobre isso.
Meu pai estava fazendo alguma coisa que não era me orientar...
Talvez estivesse em algum bar.
Não deveria estar escrevendo coisas melancólicas, ele esteve ao meu lado todo o tempo, suas mãos em meus cabelos me mostram o que ele nem precisava explicar...planos, risos, meu nariz e seus olhos a nossa frente, a vida dentro da porta. Música nas paredes, delícias estampadas em meu vestido de manhã.
Gosto do cheiro que me fica (aquele, o da nossa inconstância)
Vou fugir daqui, onde alguem me entenda, onde não precise explicar minha insanidade, onde os gritos não sejam abafados, onde eu possa dançar por todos os lados.
Seria eu uma pessoa horrível em não viver sua vida e viver a minha?
Seria eu uma pessoa horripilante em não poder voltar o tempo e te dar uma vida nova?
Eu posso ser horrível desta forma?
Sentada na janela vendo a vida amanhecer, as dúvidas se perdem nas cores solares, ficam amareladas, já se dissolve...
Ela vem com uma cara de brava, tipo, você não para em casa, eu tenho pés amarrados e você me deve, ora, amarre os seus, por mim, não, não posso estar escrevendo isso dela, não, não mesmo, perdão por isso, eu a amo, eu sei que não gostaria que fosse assim, eu queria afundar suas frustrações, eu queria te ver nascer, eu posso tentar ser sua mãe?
Eu reclamo da dor e dos tantos remédios, ela resmunga algo como vá procurar cura na rua....eu gostaria, eu vou, ela poderia ter parado por aí e ter se deitado, cresceria a vontade da insanidade, não precisava ter voltado com líquidos pra me curar, feitos por ela, esquentados por ela, o que eu faço por ela?
Não gosto de ser adulta, não tenho cacife pra isso.
Bom dia dor, vamos tomar um café.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Alguem pra você contar suas baboseiras
Pra beber cerveja com você de madrugada
Alguem que não ligue se seu pijama for uma camiseta velha do sublime
Goste do seu cabelo quando acorda
Te chame de chata
Goste de seus tantos defeitos
Alguem que te fale sobre honestidade
Alguem com quem faça planos
(antes, durante e depois do sono)
Alguem que te sussure loucuras
Te ofereça mel com pesticidas
Alguem que te gire em fantasia
(te faça uma melodia)
E a proteja em um mundo
E seja tudo ao todo
Sob um teto de estrelas
onde as pequenas coisas são tesouros.


Com amor;
Ao meu poeta e marido, Vinícius Paes.

Corra!
Está no script.
O tempo em meio, fazendo
Como se...
Uma flor murcha
Uma bruxa
Uma estrela apagada
Uma fruta estragada
Um relógio sem utilidade
(aquela senhora não quer me contar a idade)
Lá fora está sol
Por aqui, sinto falta de suas claves
(desculpe filho, foi o melhor que a mamãe pode comprar)

Eu sou?
Eu fui?
Eu estava?

Toque de recolher!
Vamos dormir em berço esplêndido
Escuta
Se prestar bem, mas muita atenção
Pode ouvir o som do mar, a luz que te conduz e alguma coisa com fundo
Mas as cervejas acabaram
E o cigarro tambem
E eu aqui, bêbado, sem um puto
(moça, me dá um cigarro?)

Sou o absurdo (mudo)
Você é o surdo
A dona razão é cheia de querer inverter as coisas por aqui
(preciso dar um jeito de tirar a fita isolante da boca)
Já falei sobre os gritos?
Saia de perto
Sou sim, meu nome é Maria Louca
(perco um pé do sapato e bato carros)
Cuidado.
Foto por: Euricles Macedo

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sou mais azul
Toco meu blues
(Nos tons que são, do pote da essência laranja na terceira gaveta)

Ter te encontrado
Ter te tomado
(eu vi uma estrela cadente, não podia ter contado)

Ouvir sua voz
Suas garras seguras na minha carne

(posso pedir mesmo assim, e a segurar tão perto a ponto entrar em mim)

Seu veneno me amortece
Tua moldura
Sua poesia
Sua música
Tua cultura

(Sua calma me acalma no espaço dos sonhos, as estrelas moram lá e elas disseram que vão me atender)

Loucura, doçura, encanto
Falo sobre a sensação de mexer na cama e senti-lo ali, dormindo atrás de mim

(me encaixo e a serenidade vem me visitar)

Distante da realidade das pessoas, finalmente
Em meio as tormentas infernais dou de cara com uma certa e estranha paz

Sua luz funde na minha e já não temos mais distinção de unidade
é uma coisa só
Faz parte de mim

(Meu pedaço, meu avesso, o outro lado do inteiro)

Faz meus sonhos
Faz um mundo.

(eu te amo a cada segundo)
Dos dias de chuva interna...
Assumi a culpa de ser a falta de moderação;
Prazer.
Assumi e sorri quando transformei erros em ouro
Talvez faltem palavras por aqui quando os pensamentos roxos de liberdade me queimam
Eu não consigo explicar pra ela, mas um dia eu acho uma forma de lhe mostrar que se ela admitir que a vida humana pode ser guiada pela razão, a intensidade de viver verdadeiramente é um copinho de água perto da imensidão do mar.
Estou fora da redoma
O vento me corta
A onda me empurra com toda força
As gotas me molham
Posso não ser forte, mas sinto-me forte
Posso subir no alto da montanha e abrir os braços para o vento.
A cada dia mais me falta espaço, talvez o corpo esteja me aprisionando realmente, talvez eu ame demais minhas pernas pra voar, talvez eu voe dentro de mim.
Tinha esquecido o que é acordar com tempo e prestar atenção no dia nascendo
Esqueço de entregar filmes na locadora e sempre pago mais do que merecem
Mas não esqueço a delícia da tormenta de me ser.
Bom dia, dia.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Por 24 anos eu vivi esta vida
Em 24 horas posso deixar esta vida
Por 24 segundos posso ainda respirar
Ainda posso sentir frio e procurar pelo meu casaco cinza
(Há flores de sangue no meu casaco)

Ontem ela estava aqui. Sorrindo, daquele tamanho que era só dela.
(no seu cabelo, uma flor amarela)
Nunca vou me acostumar com a idéia de morte.
Eu quero que você se foda morte.

O dia amanheceu chovendo
em lágrimas.
Não tenho o que desejar.
Não tenho.

Boa noite Girassol.

Não tenho medo que se perca
eu o encontro
Refaço
Em terra que nada cresce, procuro por flores.
Não me contento com o morno
Eu já disse
E ele me ouviu

Estou num barco a velejar
Não nego a tempestade
Mas sou eu que faço o vento
Sente o movimento?
Já não me preocupo com as palavras, não me preocupo em agradar, quero que saia de dentro pra fora, cruze com o ar, e que se ponham a bailar
(quero mesmo é voar)
Planos refeitos, planos abortados, planos pré-moldados
Ele está presente nas minhas orações, e não importa se os tempos mudarem, se o raio do sol me queimar, se na chuva eu sair pra dançar, se eu for até o inferno o diabo cutucar, se eu esqueci de desligar a tomada, se eu passar por todos os buracos da cidade, se eu não achar o fim da estrada...
O novo pensamento vai dando sinais sutis da sua existência, da sua importância
Como se não pudesse ser de outra forma, não desse, a fome me mostra...e eu tenho tanta.
Já falei que não vou beber nunca mais?
Então, não vou.
(bom dia amor, está uma chuva linda lá fora)

quarta-feira, 8 de julho de 2009


Não aguento mais minha cara nesse lugar, essas coisas de temperos amentos estão ficando constantes, não tenho tanto medo de coisas como tenho de mim.

Minha insanidade me alimenta
Delírio é minha sustância
Minha inconstância
Quanta ânsia
Minha necessidade de ter a mim mesma pra nunca deixar que meus sentimentos sejam sequer ralados.
Mas nada está fora do lugar.
É tudo tão bagunçadamente encaixado...
Meu coração anda dançando sobre os trilhos
(mais um clichê, esse bem brega)
Mas é.
O medo passeia, lê e fica vermelho, todo mundo mente.
Isso embaralha e leva a loucura qualquer mente.
Tchau vou cortar meu cabelo, descobri que ele muda coisas e até modo de ver o mundo (é, sim!)