sexta-feira, 31 de julho de 2009


Não sei se estou ficando muito cheia
ou muito vazia
Coisas me incomodam
E nem tenho mais tanta alegria
Em coisas que antes aqui cabia.

Gosto do tanto em qualquer canto
O talvez as vezes me visita
O pouco nem tem essa ousadia
Engulo e vomito sabias com quem me divide simpatia
Linguas pretas, linguas podres, linguas ternas e linguas doces
Tem uma lingua aqui que não tem lingua
Corre e percorre o corpo e o transcede
Não sabe falar nem dizer o que se sucede
Posso tentar usar os outros sentidos
Mas ainda sim é pouco.
Não sei se esse se alimenta de todos os outros
Mas é meu idioma preferido.

Algumas pessoas não o entendem.
Mas não importa

Saia, apague a luz e feche a porta.
Eles querem cobrar
Mas já temos o mar
Esse foi nos dado
Este, agora somos abençoados.
Dinheiro é sujo
O mar é o lugar.
E é lá que pra sempre, que não seja por corpo, que não seja por carne, mas vamos estar.

Você é lindo amor e estou bêbada. Amanhã estarei sóbria e você continuará lindo.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Saiba pra onde você atira
O tiro volta e estoura seus miolos.

E tem sempre alguém para lhe dizer que chorar alivia, chorar pra que?
Meu sentimento não deveria sequer mover-se por podridão alheia, já tenho que move-lo demais pela minha. Pessoas são más quando querem e quando não querem.
Infectadas.
Só peço, por favor, que você vá e assim deixe ao menos que eu tome meu porre em paz.
Que as minhas qualidades sejam um sinal inconfundível da minha decadência.
Não chore por mim mãe, sou feliz assim.
O senhor da janela com sua bengala me faz lembrar todos os dias que devo aproveitar minhas pernas enquanto ainda as tenho.

Ainda posso lutar contra todos vocês.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Não precisa tentar definir sua loucura pra ninguem.
Só você verá como são as coisas lá de cima.

Apenas voe.

domingo, 26 de julho de 2009


Maldade me entristece
Me revira o estômago
E me faz acreditar, cada vez mais que quero um mundo dentro de mim, paralelo a esse.
Ainda bem que tenho você comigo
De certa forma, me alivia tanta atormentação.
A você que sente o peso da minha alma, ri dos meus defeitos, coloca outro nome neles, tantas dúzias de imperfeições, a odiosa falta de coragem, os excessos condenados por todos os outros mortais, o desleixo com as coisas, a falta de feminilidade...ainda me abraça e diz que sou a melhor mulher do mundo.
Quero casar com você todos os dias, comemoraremos em algum boteco, ou com algumas cervejas em casa, e quando o álcool subir em nossa já entorpecida mente, falaremos de amor, de histórias e canções...poderemos colar o mundo na parede, esse que o nosso corpo não suporta e anda saltando pelos poros, emanando cores.
Vou acordar de manhã ao som do seu violão, a casa cheia de estrelas dançando pelo ar, e com os olhos ainda fechados, vou sorrir e ficar ali mais um pouquinho só pra te ouvir cantar...

O mundo dirá que somos loucos
E isso fará meus olhos brilharem

Nunca mais me mantenha no chão.
Agora meus pés não mais tocarão o chão.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

As vezes eu fico assustada com os monstros que eu crio
As vezes gosto de ter que mata-los
Sempre rio pro espelho quando ele me conta suas tempestades, que sempre acaba rindo pra mim tambem
Embalo minhas dores em caixas coloridas e as coloco bem bonitas em algum lugar que eu nunca me lembro depois.
Nenhuma roupa coube em mim
Vou sair sem roupa pela rua
deixar os ventos frios passarem sobre e sob a pele
Quero rir da cara de espanto das pessoas
Hoje minha unha quebrou, lascou em carne viva
E a unha ficou pendurada, se eu tirasse devagar seria tortura demais
Arranquei com tudo.

Onde acho sentimento sem larvas?
Meus olhos pretos passeiam por toda a vastidão do mar de cabeças
e meu cérebro cinza pensa por que as pessoas complicam a beleza da simplicidade.
Confundem e a distorcem.
Você quem me bateu primeiro
Eu só revidei
Não, foi você, eu te bati porque você me bateu.

Ela então assumiu toda a culpa e decidiu recolher todo ódio alheio pra não propagar
Não era uma madre, na verdade de santa poderia se comparar com o que estava do dedão da Maria, embaixo da unha
Mas decidiu que seria a absorvente de ódios
Assim não teria continuidade e as flores do jardim cresceriam coloridas graças ao seu adubo
Como um trem num trilho, tudo vinha a sua direção, batia no peito, era terrivelmente doloroso, mas ela absorvia com bravura.
A matavam-na a cada dia com beijos e abraços falsos
Com facas penduradas em suas costas
Enfestada de almas compradas e ganância roxa em sua aura
Engasgava com cafés ofertados, empreguinados de chumbo
Ela andava com dificuldade e respirava em quartos de segundo, não sabia ao certo quanto tempo havia se passado, talvez uma hora, talvez mil anos, estava carregada demais e era a hora de acabar com toda a nojeira que estava alojada em seu corpo, não suportava o cheiro.
Afundou com a bebida e escoou pela pia da cozinha, foi no esgoto que os ratos a mordiam, mas era sua sina, chorava de agonia, mas engolia cada rato que via.
Caiu em um rio, a água cristalina deu uma sensação que a muito não sentia, achou uma grama tão verdinha que teve vergonha da sua podridão, subiu até o mais alto penhasco deste mundo, com um sorriso de rainha sentiu que o vento estava a abençoa-la, abriu os braços como para abraçar o mundo, e se jogou, por um instante achou que estava voando.

Finalmente as pessoas teriam paz.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Queria uma parede de alguma coisa pra eu dar facadas até passar toda a raiva que eu to sentindo
Queria gritar até deixar todo mundo surdo
Queria arrancar essa dor como se arranca um filho na hora do parto
Queria matar
Hoje queria afogar
Hoje queria levitar e cair de um prédio onde ficasse tudo nulo
Tudo quieto
Tudo morto.
Ta feliz sua puta?

segunda-feira, 20 de julho de 2009




Conto algumas coisas, conto, canto, invento fábulas...

Tiro blocos de felicidade do bolso
Fatio em pedaços e a como como um bolo

Giro, grito seu sussurar em meu gemido
Esquivo
Me pinto com guache
Sinto sua saudade
Atuo constantemente em palcos vitais
Felicidade atracada no cais
Mas basta um segundo de poesia
Roda, roda, rodopia!
Me leio e me tomo
Te tomo e te brindo
Com a menininha do cabelo liso, eu brinco.

(Fábulas me inventam, coisas contam aos contos, que me contam algumas coisas)

A primeira vez que me assassinaram
Tive certeza que não queria morrer
Optei por encher um balão de gás lacrimogêneo
solta-lo e viver
e viver...e vir ver.

Todas as pessoas já foram dormir certamente
Talvez eu não durma nunca mais
Talvez eu dê um jeito nessa prisão
Logo amanhece, vamos a luta...que luta?
Pessoas mortas em meu dia já não me surpreendem mais, nem me fazem chorar, será que eu fiquei como eles?
Enquanto espero que os remédios façam efeito, tento inalar o pouco dos momentos que me fazem, imagino se a vida fortalece ou se tapas constantes na cara me faça marionete.
Minha mãe nunca me disse nada sobre isso.
Meu pai estava fazendo alguma coisa que não era me orientar...
Talvez estivesse em algum bar.
Não deveria estar escrevendo coisas melancólicas, ele esteve ao meu lado todo o tempo, suas mãos em meus cabelos me mostram o que ele nem precisava explicar...planos, risos, meu nariz e seus olhos a nossa frente, a vida dentro da porta. Música nas paredes, delícias estampadas em meu vestido de manhã.
Gosto do cheiro que me fica (aquele, o da nossa inconstância)
Vou fugir daqui, onde alguem me entenda, onde não precise explicar minha insanidade, onde os gritos não sejam abafados, onde eu possa dançar por todos os lados.
Seria eu uma pessoa horrível em não viver sua vida e viver a minha?
Seria eu uma pessoa horripilante em não poder voltar o tempo e te dar uma vida nova?
Eu posso ser horrível desta forma?
Sentada na janela vendo a vida amanhecer, as dúvidas se perdem nas cores solares, ficam amareladas, já se dissolve...
Ela vem com uma cara de brava, tipo, você não para em casa, eu tenho pés amarrados e você me deve, ora, amarre os seus, por mim, não, não posso estar escrevendo isso dela, não, não mesmo, perdão por isso, eu a amo, eu sei que não gostaria que fosse assim, eu queria afundar suas frustrações, eu queria te ver nascer, eu posso tentar ser sua mãe?
Eu reclamo da dor e dos tantos remédios, ela resmunga algo como vá procurar cura na rua....eu gostaria, eu vou, ela poderia ter parado por aí e ter se deitado, cresceria a vontade da insanidade, não precisava ter voltado com líquidos pra me curar, feitos por ela, esquentados por ela, o que eu faço por ela?
Não gosto de ser adulta, não tenho cacife pra isso.
Bom dia dor, vamos tomar um café.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Alguem pra você contar suas baboseiras
Pra beber cerveja com você de madrugada
Alguem que não ligue se seu pijama for uma camiseta velha do sublime
Goste do seu cabelo quando acorda
Te chame de chata
Goste de seus tantos defeitos
Alguem que te fale sobre honestidade
Alguem com quem faça planos
(antes, durante e depois do sono)
Alguem que te sussure loucuras
Te ofereça mel com pesticidas
Alguem que te gire em fantasia
(te faça uma melodia)
E a proteja em um mundo
E seja tudo ao todo
Sob um teto de estrelas
onde as pequenas coisas são tesouros.


Com amor;
Ao meu poeta e marido, Vinícius Paes.

Corra!
Está no script.
O tempo em meio, fazendo
Como se...
Uma flor murcha
Uma bruxa
Uma estrela apagada
Uma fruta estragada
Um relógio sem utilidade
(aquela senhora não quer me contar a idade)
Lá fora está sol
Por aqui, sinto falta de suas claves
(desculpe filho, foi o melhor que a mamãe pode comprar)

Eu sou?
Eu fui?
Eu estava?

Toque de recolher!
Vamos dormir em berço esplêndido
Escuta
Se prestar bem, mas muita atenção
Pode ouvir o som do mar, a luz que te conduz e alguma coisa com fundo
Mas as cervejas acabaram
E o cigarro tambem
E eu aqui, bêbado, sem um puto
(moça, me dá um cigarro?)

Sou o absurdo (mudo)
Você é o surdo
A dona razão é cheia de querer inverter as coisas por aqui
(preciso dar um jeito de tirar a fita isolante da boca)
Já falei sobre os gritos?
Saia de perto
Sou sim, meu nome é Maria Louca
(perco um pé do sapato e bato carros)
Cuidado.
Foto por: Euricles Macedo

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sou mais azul
Toco meu blues
(Nos tons que são, do pote da essência laranja na terceira gaveta)

Ter te encontrado
Ter te tomado
(eu vi uma estrela cadente, não podia ter contado)

Ouvir sua voz
Suas garras seguras na minha carne

(posso pedir mesmo assim, e a segurar tão perto a ponto entrar em mim)

Seu veneno me amortece
Tua moldura
Sua poesia
Sua música
Tua cultura

(Sua calma me acalma no espaço dos sonhos, as estrelas moram lá e elas disseram que vão me atender)

Loucura, doçura, encanto
Falo sobre a sensação de mexer na cama e senti-lo ali, dormindo atrás de mim

(me encaixo e a serenidade vem me visitar)

Distante da realidade das pessoas, finalmente
Em meio as tormentas infernais dou de cara com uma certa e estranha paz

Sua luz funde na minha e já não temos mais distinção de unidade
é uma coisa só
Faz parte de mim

(Meu pedaço, meu avesso, o outro lado do inteiro)

Faz meus sonhos
Faz um mundo.

(eu te amo a cada segundo)
Dos dias de chuva interna...
Assumi a culpa de ser a falta de moderação;
Prazer.
Assumi e sorri quando transformei erros em ouro
Talvez faltem palavras por aqui quando os pensamentos roxos de liberdade me queimam
Eu não consigo explicar pra ela, mas um dia eu acho uma forma de lhe mostrar que se ela admitir que a vida humana pode ser guiada pela razão, a intensidade de viver verdadeiramente é um copinho de água perto da imensidão do mar.
Estou fora da redoma
O vento me corta
A onda me empurra com toda força
As gotas me molham
Posso não ser forte, mas sinto-me forte
Posso subir no alto da montanha e abrir os braços para o vento.
A cada dia mais me falta espaço, talvez o corpo esteja me aprisionando realmente, talvez eu ame demais minhas pernas pra voar, talvez eu voe dentro de mim.
Tinha esquecido o que é acordar com tempo e prestar atenção no dia nascendo
Esqueço de entregar filmes na locadora e sempre pago mais do que merecem
Mas não esqueço a delícia da tormenta de me ser.
Bom dia, dia.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Por 24 anos eu vivi esta vida
Em 24 horas posso deixar esta vida
Por 24 segundos posso ainda respirar
Ainda posso sentir frio e procurar pelo meu casaco cinza
(Há flores de sangue no meu casaco)

Ontem ela estava aqui. Sorrindo, daquele tamanho que era só dela.
(no seu cabelo, uma flor amarela)
Nunca vou me acostumar com a idéia de morte.
Eu quero que você se foda morte.

O dia amanheceu chovendo
em lágrimas.
Não tenho o que desejar.
Não tenho.

Boa noite Girassol.

Não tenho medo que se perca
eu o encontro
Refaço
Em terra que nada cresce, procuro por flores.
Não me contento com o morno
Eu já disse
E ele me ouviu

Estou num barco a velejar
Não nego a tempestade
Mas sou eu que faço o vento
Sente o movimento?
Já não me preocupo com as palavras, não me preocupo em agradar, quero que saia de dentro pra fora, cruze com o ar, e que se ponham a bailar
(quero mesmo é voar)
Planos refeitos, planos abortados, planos pré-moldados
Ele está presente nas minhas orações, e não importa se os tempos mudarem, se o raio do sol me queimar, se na chuva eu sair pra dançar, se eu for até o inferno o diabo cutucar, se eu esqueci de desligar a tomada, se eu passar por todos os buracos da cidade, se eu não achar o fim da estrada...
O novo pensamento vai dando sinais sutis da sua existência, da sua importância
Como se não pudesse ser de outra forma, não desse, a fome me mostra...e eu tenho tanta.
Já falei que não vou beber nunca mais?
Então, não vou.
(bom dia amor, está uma chuva linda lá fora)

quarta-feira, 8 de julho de 2009


Não aguento mais minha cara nesse lugar, essas coisas de temperos amentos estão ficando constantes, não tenho tanto medo de coisas como tenho de mim.

Minha insanidade me alimenta
Delírio é minha sustância
Minha inconstância
Quanta ânsia
Minha necessidade de ter a mim mesma pra nunca deixar que meus sentimentos sejam sequer ralados.
Mas nada está fora do lugar.
É tudo tão bagunçadamente encaixado...
Meu coração anda dançando sobre os trilhos
(mais um clichê, esse bem brega)
Mas é.
O medo passeia, lê e fica vermelho, todo mundo mente.
Isso embaralha e leva a loucura qualquer mente.
Tchau vou cortar meu cabelo, descobri que ele muda coisas e até modo de ver o mundo (é, sim!)


Não me veja, não me veja, não me veja

Ah, oi.
Tudo bem sim e você?
(foi só educação se não quiser responder não precisa)
-E sua mãe como ta?
(sei la, ta lá em casa, faz uma semana mais ou menos que não fala comigo)
Está bem.
-E seu pai?
Está bem tambem.
-E seu irmão?
(porra, por que não pergunta da família toda de uma só vez? )
Está bem
- E sua irmã?
(bã)
Tá ótima.
(é isso, tom de fim, ta ótima e fim)
-Ah ela tem uma filhinha agora né.
(óh céus)
Tem sim
(sorrisinho, não devia ter dado, ela vai achar que eu to gostando da conversa)
-Nossa, tão nova né, tadinha
(tadinha seu cú)
Imagina, a Cecíllia é uma alegria pra nossa vida.
(ela come a bola do mouse, mas eu nem ligo, ela poderia comer todas)
-E você está diferente né, o tempo passa....
ahham (droga, eu preciso ficar estática, sem sorrisinhos)
-Engordou né, e cortou aquele cabelão lindo
(filha da puta)
Pois é, você viu.
-Mas continua bonita.
(vou dar um tapa na sua cara e depois assopro, você vai gostar, certeza)
Obrigada
-E você casou, está noiva, enrolada?
(eu casei na praia sabe, mas você não entenderia e nem quero te contar, na verdade poderia estar acordando agora lá, encaixadinha e...)
-Ou está namorando?
(ai meu deus, por que não cala a boca, conta os postes da rua ou lê algum panfletinho de promoção de supermercado)
ahham.
-Ah legal.
É.
-Você viu o enterro do Michael Jackson ontem?
(ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh não não, eu que quero ser enterrada, por favor, não não não)
Não vi, estava trabalhando e...
-Onde você trabalha?
(na zona da sua mãe)
Com seguros
-Aahh, legal.
(acabou a conversa, ufa)
-Aqui no centro mesmo?
(no centro de macumba, lá que eu vou pra me livrar desse despacho)
É sim, ali na rua coronel cavalheiros
(Pq eu disse o endereço, por que? PORQUE?)
-Ahh, vou ter que descer, meu ponto já chegou
(aaaah mesmo, que pena, não se vá, você é tão, tão, tão agradável)
Vai lá (sorrisinho, esse é verdadeiro, super, tchau desgraça)
-Mas qualquer dia eu passo lá tomar um café, ou vou na sua casa ver sua sobrinha
(vai sim, veneno de rato, coloco no café, coloco sim, só vai ter uma mera lembrança de alguma espuma na boca e acordar lá com Michael Jackson)
Vai sim (como sou falsa, jesuis)
-Tchau.
Tchau.

Suspiro e relaxo as costas no banco do ônibus, eu devo ser muito chata, eu não me aguentaria, mas oooooooo, ela ganha, juro.!
Não posso pergar ônibus de manhã, não mesmo.
Um beijo pro Michael.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Não quero te sentir
Vá embora, ora
Não quero te ver
Vá embora, ora
Não gosto do teu gosto
Combina com nó
Aí eu vejo/sinto um efeito dominó
Quero me sentir auto-suficiente
Confio em mim, não em ti
Te ignoro, sou melhor, pode partir!
Grito num abismo
O grito se perde no caminho
Mas posso ouvir o eco.
E lá do alto, no cume
Peço
Vá embora, ora
Droga de ciúme.
Tempo tempo tempo
Um monstro anda roubando meu tempo dos dias
tempo tempo tempo
O sono anda roubando meu tempo das noites
tic tac e já se foi a semana
tic tac e esse relógio me engana
Sem tempo pra terminar o texto
Estou sendo engolida
Digerida
Fim.

segunda-feira, 6 de julho de 2009


Porque tenho esse corpo se não para experimentar?
(uma batida em falso e ele para de funcionar)
Pra que um dia tão bonito se não me deixam respirar?
Continue a folhar a revista que te mostra todas as tendências, coma aquela salada luxuosa de queijo de cabra com figo, se te faz feliz, é sim, é divino.
Tenho algumas cervejas roubadas, meu doce infernal mundo e alguns amigos.
Não me contenho
Não quero ser afinada
Quero gritar até deixa-los surdos
Não pretendo ser agradável aos ouvidos
Quero socos no estômago
Verdades escancaradas, pessoas abortadas em exposição na sua sala.

Você levanta e não quer levantar
Puxa as cobertas sobre sua cabeça e pensa como poderia viver ali embaixo o resto dos dias.
Você sai pela porta da rua mas sua vontade fica
é tudo cinza.
Todos atrás de papéis verdes, quanto mais, melhor.
E não importa se tem cor viva de vermelho sangue ou cheiro de carros roubados.
Pense por um minuto em se sujar, você é tão suja quanto quem o faz.
Chacoalhe a cabeça e deixe as baratas pretas sairem com o balanço (todas)
Você liga o som, e busca algo, ou algo te busca
Entrando cores, a cabeça agora vai deixando rastros coloridos pela estrada.
Vai até a parede e vê o quanto cresceu desde a última marca que sua avó fizera
O bolo ainda está sobre a mesa, parabens querida.
Muitos anos de vida?
Tenho medo de crescer tanto vó, e a parede não dê
Onde irá marcar?
Tem um rato no armário que você guarda suas roupas
Eu não quero que o rato morra de fome, pode comer as coisas aí dentro ratinho
Não tenha nojo, é só um ratinho, me divirto bastante quando saem pulando de medo dele.
Quais são as novas senhor rato?
Tem um bolo de aniversário lá na mesa, se quiser eu trago pra come-lo, não gosto de contar o tempo.
Não quero sapatos novos, não quero ir para outro lugar, quero os pés dele, o tênis velho e mais estourado, o mais lindo que eu já vi.
Você fica lindo amor, com sua roupa de sonhos, a vizinhança precisaria de óculos de sol para a retina suportar a luz que a escuridão abriga naquele nosso abrigo.
Pega água pra mim por favor?
Fica encaixado pra sempre em mim por favor?
Pra sempre não existe amor.
Pode ser o meu pra sempre?
Pode sim.
É tanto que o corpo não suporta, queria delicadamente afogar toda a lei do mundo e sua lógica;
Pra ficar com você todo o tempo que o relógio não pode contar
E me deslumbrar toda vez que fizer nevar.
De quem você precisa?
Você tem sorte, ele canta pra ele e te encanta com um sorriso de rei
Zomba do mundo e no fundo sabe que sabe viver, mesmo que duvide disso as vezes, ou o façam duvidar...querem nos consertar enquanto estamos ocupados em sermos felizes ao errar.
Então você chora no banho, chora tão forte que ri
Vendo as águas se misturarem, as águas que limpam.
Não esqueça os sapatos de dança
Ninguem sabe, é camuflado, mas você os tem.
Fiz um banner de felicidade, um dia esplêndido, posso pendurar quando seu dia estiver azedo.
O mundo vai girar, sabemos e ele não vai parar, não importa, as cores agora envolvem o corpo e todos os seres celestiais a nos presentear (eles gostam de nos observar)
Somos fruto deles.
Outra polegada ou duas que você cresceu
Não precisa comemorar sozinha, nem ter medo de desapontar.
Lembre-se da grandiosidade do mar.
(eu te amo)

sexta-feira, 3 de julho de 2009


Agonia, arrepio, sorriso, gelo, fogo, cheiro ,queimação
Agonia desnecessária
Na estante, no instante.
Um corte com navalha na lingua, pra sentir o gosto do sangue.
"És devassa, dissoluta, insana"
Ela podia ouvir do outro lado da vidraça, enquanto levantava
"Profana, zomba dos Deuses e diz não temer o diabo..."
Passos leves, sorriso no rosto, tira um lenço no bolso, vai até o rádio, liga o som, há vários Lps, opta por um blues animado com uma voz exuberante, dançando na ponta dos pés, podia sentir cada nota, como Bb King, que aliás, tambem estava lá, saltou da vitrola (lá devia ser muito apertado)
"Fogueira, é a única opção"
Escutou algo com fogo e vibrou, fechou os olhos em êxtase ao pensar no fogo subindo por seus pés, a partir da li, não ouviu mais nada
Na festa começou a chover, como poderia não viver?
A vitrola nunca esteve tão enérgica, soava entonações antes não ouvidas, era um delírio, desvario, tresvario e ainda a chuva estava ali dentro com ela, fazendo um espetáculo no ar!
No canto esquerdo podia ver um arco-íris apontando, e seu sorriso ficou do tamanho dele, foi até lá, dançava agora com um lenço de cada cor, tinha sete, feixes de luz tocavam seu corpo, brincavam com a matéria, desobedecendo as leis, entravam dentro de seu corpo, e a música não parava, nos solos quase infartava! E mexia os lábios de acordo com a canção, uma dublagem em frenesi, seu corpo agora absorvia as notas.
Sente um calor incontestável, os panos caem, agora tinha algumas pétalas gigantes penduradas em algum tipo de teto (sabia que era o céu) o tecido macio passava por seu corpo e um havia caido como um véu, mas não se preocupava com a vestimenta, estava verdadeira-mente a dançar.
Não tinha nada ali para atrapalhar, podia ver algumas estrelas embaixo de um chão de vidro, a imagem era magnificamente bela, dançava sobre elas!
Convidou o sol tambem, raios amarelos sobre a cascata fina de chuva, era a coisa mais linda de olhar!
O tribunal atras do vidro cada vez mais pasmo
"Pois condenai-a agora"
O sorriso nos labios não a deixava, não conseguia, não, era tão lindo!
-Está cada vez pior, deem mais uma dose de rivotril.
Nesse momento entra dois homens de branco na sala estofada, ela em transe, não percebe nada, só gostaria que dançassem com ela, eles pareciam sempre tão tensos!
Nua e branca, de pé, patente à meia luz daquela sala
Em alguns metros quadrados, podia se ver a menina caindo em sono profundo
Triunfo imortal
Eles teriam sua carne
Mas não podem apagar uma alma que arde.
A música continuaria...
Ali em profundo sono, acha mais alguns Lps.
Sorri e os olhos estalam.

quinta-feira, 2 de julho de 2009


Tengo más lo que hacer

(Por)que deveria yo ser?

-Café queima meu estômago-

Desce pelas paredes rosas

(bonitas las cores)

Gracita a bailar

lalalarilalá

Algun problemita con esta garotita?

-si,si

(todos)

Mer-rrr-ci bocú.

quarta-feira, 1 de julho de 2009


Devo ser muito chata
Muito azeda
Muito velha
é, deve estar azeda a mistura dessa panela
Por que as pessoas gostam de twitter?
Preciso entender
Mas não consigo, óra essa;
Devo ser muito chata
Muito azeda
Muito velha


Bah, não devia ter levantado da cama hoje.
(imperfeito do indicativo)
Contraste dos meus dias iguais.

Amor, eu to com saudade
Acho que é isso
(Te preciso, te necessito)

Eu tinha uma idéia de escrita na minha cabeça
Um segundo depois (algumas palavras ásperas)
E tenho outra, preferia a outra
Mas não consigo escrever mais.
A outra tinha amor e poesia, essa tem raiva, ohhh virgem santa maria.
Algo que tira a paz
Como pode, como pode?
COMO PODE?
Sempre me convenço que sou tonta demais das pessoas
Obrigada mãe por amor demasiado na minha mamadeira.
Quero ter mais ódio no coração
Vulcânica, intensa, raiz de toda dor
A negra raiz do mal saltando pelos olhos.
Enquanto as pessoas rogam por paz
quero ter ódio, por que ser boa nesse mundo já não basta.
Boa rima com boba
Boba rima com tola
E tola rima com Nátalin
Vão te prender pra fora do carro e arrumar algo que te arraste
Ela tinha razão, são muitos ratos, tenho que pisar neles todo dia se não, não consigo atravessar a sala, são muitos e são feios.
Eu queria ignora-los, mas estão por toda parte!
Devo ter nascido para ser a comida da humanidade dos ratos, com toda a porra e toda miséria sentimental que mora em mim
Ja berrei isso por aqui várias vezes, eu sei.
Cansei.

Ah, quem daria importancia?
Não tem sentido, aff, ratos malditos, eu sei que já acho, em algum beco, a capacidade de auto-defesa
Eu sei, mas eles roem, e eu choro pelos tapas na cara.
Não é pra ter sentido, nem rima, nem razão
São pensamentos abortados, surtados e corridos
alívios e tormentos

Fodam-se seus nojentos.
Pega no meu pau.