segunda-feira, 28 de setembro de 2009


(Entre um rosto e o retrato
Real e o abstrato
Entre a loucura e a lucidez
Entre o uniforme e a nudez
Entre o fim do mundo e o fim do mês)

Entre a verdade e o soco inglês
Entre os zumbis esperando por sua vez
Entre o fiel virando freguês
Entre as de plástico e as com cheiro
(Meus rins por seu dinheiro)
Entre abril e outubro
Entre a (há) porta para outro mundo
Entre lençóis e a plenitude
Entre as mentiras e as verdades
(na cova dos leões, e meu escudo azul de vontade)
A solidão e a pluralidade
Entre um café e o fim da tragada
Entre o presente e o futuro na mesma estrada
Entre a mutação e a divindade
Já chorei, ja sorri, ja sorri e chorei, já fiz tudo isso novamente junto freneticamente
[Eu me sinto feliz]
Meu Deus, como me sinto feliz!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A menina cor de gelo me mandou uma carta:
"Eu já pedi para a emoção que se identifique. Mas nem um sussurro, uma mera palavra, ou um xilique. Permaneço perdida neste monólogo sem platéia e reação, de cara a cara com a face da razão"
Foi aí que comecei a correr, comprei um envelope e chorando coloquei um estilete embrulhado num bilhete, enviei a correspondência (com um selo vermelho).
E eu, que as vezes queria impedir a forma com a qual meus sonhos me invadem, a velocidade com que rasgam minha imaginação, fiquei sentada, ouvindo o som do realejo nas fotografias em que me vejo. Me lembrei do que havia escrito no bilhete, peguei um giz e pus a escrever na parede:
-Se por ventura alguém me perguntar se ainda existo, responderei: Em mim, onde uma morre, outra ressucita.

Foi assim que recebendo a carta, cortou os pulsos.
(sem nem uma lágrima sequer)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Chorando me levou para o lugar mais escuro
E você fez fogo para meu coração
Agora quando corro no escuro
Tenho um coração que ilumina.

Absorvi o Sol na sua forma.
Acordei e você estava chorando
Acordei e eu estava rezando.

A noite eu acordo com os lençóis molhados
E um trem de carga correndo no meio da minha cabeça
Só você pode acalmar meu desejo
(Eu quero ouvir você bater na porta,e quando ela abrir, escutar o som do mar)

Agora, quando corro no escuro
Tenho um coração que ilumina.
E eu te amarei da melhor maneira que eu conheço.
Porque você não crê no paraíso meu amor?
(Paraíso é o sentimento que eu sinto em seus braços)

Me ame por toda a vida, em todas as vidas, vidas inteiras.
Um verso mudo em seu olhar, um grito de desejo em cada beijo
Cada segundo meu, um instante seu
Me ame daqui até sempre, pra depois do infinito, mais longe que o eternamente.

Me há um rígido cofre repleto de ácidos dizeres, vontade amarradas com facas no pescoço de quem não serve pra absolutamente nada (na mente), inerte existente.
E o bom senso de vigia à sua porta, com uniforme azul marinho de listras laterais.
Uma intuição que periga quando me cochicha dissonâncias, e me atrai pensamentos parasitas.
Desalinha-se da minha essência (existência), me envergonha, me intimida, toma autonomia sobre a minha emoção, declara guerra ao meu juízo, faz de mim soldada desta civilização de futilidade plástica. Pobre intuição, me fere e me esfaqueia o peito, pesado amuleto que equilibra-se sobre o elo entre a mente e o coração. Mas se esta me fosse tolerante e me tivesse compaixão, um negro véu encobriria minha fraca percepção, e o mundo faria de mim mais um cego na multidão.
(Protagonista de uma imersa fábula incrédula onde meus sonhos são meros impostores)
E é agradecida que carrego as feridas que me causam, e ao tempo de vida que ainda me resta, um coração que ainda arde.
(Protagonista de uma imersa fábula incrédula onde meus sonhos são meros impostores)
Em contornos ingênuos de reflexo pecaminoso
(Protagonista de uma imersa fábula incrédula onde meus sonhos são meros impostores)
Atravesso as tormentas a nado e bato o pé em falsas águas onde se afundam as importâncias
(Protagonista de uma imersa fábula incrédula onde meus sonhos são meros impostores)

E se não encontrar minhas palavras, as deixe.
Mas devolva-me a cor, deste espelho que me desconfia.
Como a folha ao cair da árvore em despedida.
(Despida, nudez de culpas, extremada franqueza, sem medida)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

www.flickr.com/natalin_guvea

O carro anda, eu fotografo, os postes estão ficando pra trás e a cidade cada vez menor.O amor invade e preenche todos meus sentimentos esponjosos.
Me sinto forte, feliz e forte.

(No riscar das mudanças, compassos metamórficos desenham o círculo perfeito da vida.
E neste ciclo do destino eu me envolvo, num giro perpétuo, ao encontro do meu novo ser-sentir.
O vento me sopra pra longe daqui, algum lugar fronteira com a cor da imaginação)
www.flickr.com/natalin_guvea


As vezes me há um arbusto cravado. Daqueles emaranhados , que se tem a impressão de se espalhar por todo o corpo a procura de um pecado, rasgando por dentro, dilacerando formas de sentimentos e traçando alguns machucados.
Um arbusto impiedoso, seco, espinhoso...que se difunde e enrosca da ponta do pé à ponta da mente, dando nó cego até no próprio ego. Trava a garganta, sufoca e aperta o coração. Seus gravetos pontudos espinham a alma, eu grito rouca, e ele escuta cinco vezes mais alto, testo sua serenidade e a calma. Permaneço imóvel, muda, entrelaçada (ele ou eu na armadilha engatilhada?)
Com eles vejo, sinto, penso, percebo e interpreto cada ferimento visceral traçado e a necessidade em conta gotas. A cada pingo de percepção que brota de despretensiosa interpretação, são como finas gotas de orvalho de um verão que chegam pra umedecer esta minha árvore, me permitindo assim, o perdão de mim.

A montanha me chama, um pouco distante, ela me estende um tapete verde na grama, eu posso ouvir seu silêncio, sentir o vento, fazendo dançar meus cabelos...Eu quero subir, sem pressa e sem peso, ao passo do acumulado desejo, ao encontro do que hoje me vejo, minha plenitude e pluralidade.
Eu e a montanha, a montanha e eu, suaves posturas formadas pelo mundo, rochosas essências à mercê do lapidar de Deus.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009


Gosto de imaginar como seria se eu fosse mais alta e a minha voz mais grossa, se a cidade fosse feita de gelo e o mar sempre quente. Se os gatos não comessem pássaros e eu pudesse ter os dois soltos em casa. E lindo seria se pudesse ter uma jardineira logo abaixo da janela, com tulipas vermelhas o ano inteiro e a fachada da casa das cores dela. E se eu tivesse um jardim...com direito a um labirinto nele, onde pudesse me esconder quando cansasse do mundo.
E ainda uma horta, enfileiradinhas, verdes ,amarelas e algumas pimentas.
Poderia então germinar-me com elas.
O jardim daria pra um lago, e tantas árvores gigantes no meu quintal! (uma daria frutos de chocolate)
Alem de eu imaginar se pudesse voar, imagino tambem como seria se pudesse ficar invisível. Ninguem iria me ver e eu iria ficar sabendo de tanta, mais de tanta coisa.
E imagino besteiras, um monte delas, até mesmo se pro cabelo crescer bastasse apenas esticá-lo com força.
Toda vez que vou tirar sangue acho que vou morrer, a enfermeira vai errar, vai entrar ar na minha veia e tudo vai escurecer aos poucos até eu encontrar a escuridão eterna, ohhhh que morte horrível. Minhas últimas visões, uma enfermeira amadora e algumas agulhas em gavetas.ohh.
Mas nunca morro.
E aquelas coisas de mulheres...Que sexo terá meu filho? Qual serão as cores de seus olhos?
O que vou sentir quando olha-lo pela primeira vez?
Um pedaço meu e da pessoa que eu amo.
E como será sua face na velhice?
E tudo aquilo que todo mundo gosta de imaginar também, como comer de tudo e nunca engordar...isso seria bom, seria sim.

Eu imagino coisas perversas, outras pervertidas e outras tão ingênuas que nem valem ser ditas. As vezes imagino se pudéssemos mudar de nome quantas vezes quiséssemos! Eu já teria me chamado Isadora, Isabel, Helena, Maria... e alguma espécie de nome bicho-grilo na adolescência.

E quanto mais chatos ficamos, mais coisas chatas ficamos a imaginar, porque começamos a pensar que tudo é infantil demais. E quando velhos, acabamos boquiaberta com as fantásticas mentes férteis dos nossos netos, sem conseguir imaginar de onde eles tiram tanta imaginação, enquanto esquecemos o quanto já tivemos dela.
Eu quero é poder inventar infinitos contos de fadas, depois contar pros meus filhos, pra quando estes passarem a contá-los pros meus netos, eles sim, ficarem boquiabertos.

Mas até lá terei que lutar contra tudo que conspira para poder me corromper. E sem empalidecer!
(Exterminar o tal do MMDC)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Enquanto ninguem conseguir me explicar da origem do big bang até molécula de hidrogênio
Eu continuo a ter fé em Deus.
Cérebro de amendoim (como o meu) pra mim, não serve.
Pau no cú do Nietzsche.

Que o padre-robô está mentindo eu não duvido, que a bíblia tem suas mentiras, eu não duvido.
"A fé é querer ignorar tudo aquilo que é verdade."
Mas, cadê a verdade?

O que aconteceria se Nietzsche e Clarice Lispector se apaixonassem?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009


Se eu conseguisse rasgar minha pele
Conseguiria mostrar o que se escondem nas palavras

Se me restasse dinheiro
Eu não estaria sóbria e me manteria selvagem

Ainda bem que o tenho comigo
Ninguem saberia desenlaçar as fitas dos meus vestidos
Ao contrário, me amarrariam com força àquelas camisas.
(feias e sem vida)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Já faz algum tempo que já não sou a garota do espelho
Desconfio que minha alma já não cabe mais lá dentro
Ouço meu acalento
Mas nunca me contento
Já faz algum tempo, que preciso gritar
Gritar e berrar
A calma nunca é suficiente, nunca me contento, pra que me cutucar?
Espelho masoquista de merda.
Talvez eu goste de sangrar, procurar e procurar por ar.
Eu quero a excitação áspera de ser quem eu sou
Nem na escuridão quero fugir de mim mesma. Não precisa amor.
Optar covardemente pela cegueira seria não ouvir os gritos
Mas quem grita, alem de mim?
Depreciativos
Acho que mais para depreciados, desprezados, desacreditados
Desonrados
A culpa é minha? A culpa, que culpa, de quem é a culpa?
Culpa minha se nem de mim eu tratar de cuidar
Se eu ficar sentada com vestido branquinho e reluzente de tão limpo, com cheiro de alvejante da minha mãe, e uma enorme etiqueta pra exibir para minhas amigas, vendo o trem passar, sem ao menos um arranhão, um tapa na cara, um porre e alguns nãos.
A inquietude paralisada, presa, imóvel e inutilizada
Por mais que tente, meus olhos não deixam de brilhar e quando me levantar, atearei fogo às minhas antigas vestes.
Quero acordar toda manhã contigo e fazer amor, pra me lembrar de quem eu sou.
Pra sorrir orgulhosamente de quem somos e do mundo que temos, dentro da gente.
E do nosso espelho, que nunca conseguirá nos refletir totalmente
Me molhei toda, mas se não esquecesse a janela do carro aberta e tivesse que sair correndo no meio da chuva para fecha-la, não seria eu. Seria apenas mais uma pessoa seca, vendo a chuva da janela.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Novo Blog

Andei cruzando alguns mares e estou descobrindo coisas legais que resolvi compartilhar (sou legal haha)
Fotografia, música e afins
(Pra quem estiver afim)
Sejam bem vindos e tragam a bagagem!

www.dasdescobertasdela.blogspot.com

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Imagem: Brotherus

Detesto sinopses, trailers e tudo que indique o que vou ver.
E quando vomito e engulo novamente, o gosto já não é mais o mesmo.
Achei tantas coisas na minha gaveta que fiquei assustada de como pude guardar aquilo por tanto tempo.
Peguei a caixa toda, fui correndo, como se estivesse atrasada, mas muito atrasada, correndo e o vestido ficava enroscando na minha perna, cheguei lá quase sem ar, olhei pro mar, pedi desculpas, e joguei todo aquele lixo.
O mar ficou com uma mancha gigante, parecia petróleo, mas ele me sorriu e disse que era forte o suficiente pra dissolver, o agradeci e fiquei parada à sua frente por três dias, até que o vi azulzinho novamente.
Fui tirar um raio-x, pude ver meus ossos, achei meio sem cor, falei pro médico - Que sem graça doutor!
Ele disse, você veio pra achar graça ou saber o motivo da dor?
Saí de lá um pouco confusa.
Peguei o raio-x e coloquei à minha frente na frente do espelho, e pensei, como posso ter tudo isso aqui dentro e nem vejo?
Esse negócio não está com nada, se não sairia colorido, com letras ofuscantes escrito INFINITO.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Mulher é um bicho desgraçado
Por isso as vezes prefiro ser homem.

Passo pela sala e escuto algo com três mortes
Não é meu filho, nem meu irmão, nem meu amigo
Pego o jornal com meus pés pra cima e leio um fogaréu queimar o bairro
Meu mato, meu, mas minha casa continua intacta
Eu que te mato, eu que te queimo.
Vou na missa pedir perdão
Com a cabeça baixa de vergonha e sangue nas mãos.

terça-feira, 1 de setembro de 2009


Havia esquecido como era gostoso andar de bicicleta
Coloque música boa e saia pedalar
Sinta o ar fresco da noite
O vento na face
A música na alma
A calma e a euforia dançando juntas na avenida
Junto com as luzes que deixa pra trás a cada segundo
Pessoas passando, pais brincando com os filhos
Senhores papeando sobre a vida
Como é gostoso sair pela cidade com a cabeça perdida em planos
Pensamentos dançando
Poros abertos para entrada da plenitude


Acho que encontrei minha doçura.
Estava perdida embaixo do sofá
Não sei por que não procurei lá antes, sempre perco as coisas por ali.

Dos dias que acorda chatamente psicóloga.


Não me conformo com essas mulheres que esperam que tudo na vida seja um homem.
Ficam esperando que a felicidade venha com algum deles.
Um pinto não faz a felicidade de ninguem, se fosse assim poderíamos todas comprar uns vibradores e sermos felizes pra sempre. Andar de mão dada nem sempre é andar com a alma dada, tentar ter que mudar sua vida, suas roupas e sua rotina por que alguem não gosta dela é o cúmulo do cúmulo do cúmulo (quantos cúmulos)
Isso a gente aprende com o tempo.
Garotas, ga-ro-tas do meu Brasil, primeiramente procurem ser felizes sozinhas, não depender de ter que ter alguém pra ser feliz, você é um ser único, irradie luz, curta seus amigos, os faça de verdade, plante sementes, leia, aprenda, ouça música, dance até virar o dia.
Assim, quando chegar alguém pra somar sua vida, você vai saber que uma essência completa a outra.
E ele vai te amar até com pijamas velhos de moletom e o cabelo parecendo uma couve-flor de manhã.
É sim.
Beijos.

Foto: Exemplo de cabelo couve-flor.