quarta-feira, 28 de outubro de 2009


A noite me convida pra dançar.
E as nuvens não nubladas brincam de esconder e mostrar os segredos do céu;
Um azul escuro mesclado com beleza tamanha, e as palavras me faltam;
A ternura entra em meus olhos, posso dizer quem sou um soluço no pensamento, em lembranças de instantes anteriores, de instantes seguintes...soam em câmera lenta.  Dos meus mais íntimos instantes, dos mais mudos e escondidos instantes em que minha mente deleita-se, eu posso dizer quem sou em parcelas de segredos, porque eu sou mistério e não sei ser outra coisa. E se o oculto não me fosse assim tão natural, a loucura me varreria, como as loucas varridas que enlouquecem pensando em serem normais. Posso dizer que ao saber de mim, poderá me imaginar, que ao olhar pra mim poderá me sugestionar, que ao me escutar poderá julgar-me, e ainda assim, não saberás de mim.
Pois sou a nuvem que esconde estrelas e sou estrelas que brincam sob as nuvens.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dance-me até eu ver a beleza como um vinho ardente derramado em meu vestido
Dance-me através do pânico, até onde eu possa me sentir segura
Eleve-me além do cume;
Mostre-me lentamente aquilo de que eu só conheço até o limite
Dance-me ao casamento agora, sem papéis, somente estrelas sorrindo como testemunhas
E amanhã e sempre mais um dia
Dance-me, outra vez
Dance-me mansamente com seu olhar e congele o tempo
Dance-me até sentirmos nossa luz
Até colorirmos todas as paredes do infinito
Gire-me atrás das cortinas dos nossos beijos
Toque-me com sua mão nua

Nua.
Com a inocência de uma criança
E com a voracidade da flor da idade, até ver minha pele queimar
Entrar.

Toque minha alma
Eleve-me
Beba-me
Mate-me
Dance-me até enquanto eu viver pra morrer (de amor)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Andando pela rua, por cima do relógio de ponteiro nenhum
As pessoas são como borrões, o cenário se perde em meio as emoções, e eu me pergunto se eles existem ou se eu os invento diariamente.
O turbilhão na cabeça faz com que a visão dê um giro junto ao corpo, mas não se fixa em nada.
Nada que faça sentido.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009


Eu não preciso do muito
Eu não preciso das teses
Não preciso dos confetes

Dia desses exagerei na pimenta
Passei um café fraco
Até corri, mas na estrada só havia buracos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Decidiu que era hora de deixar o gás aberto.
Como quem não tem culpa nenhuma do mundo, foi até a cozinha, abriu o gás e saiu sem olhar ao redor, não que fosse doer ver as pessoas com os papéis, lutando pelo melhor pedaço de pão.
Comer, estocar, juntar, encher, esbanjar.
(Possuo carros, muito estacionamentos, lojas, e toda essa porra Ha, ha, ha)
Conversando com sua mente: Eu posso ver facilmente dentro de você.
E sentiu vontade de explodir
(e o que me restou além dos braços cortados?)
Já na praça que dá de frente ao prédio, acende um cigarro, decide que não pararia de fumar, aliás, corre e compra uma cerveja antes do espetáculo, seria alcólatra por toda sua vida, depois que decidiu isso, deu um sorriso de satisfação.
Agora está sentada tomando cerveja quente e esperando aquela vida pipocar.
Lembra que deveria tirar a roupa suja e jogar lá dentro para explodir com todo o resto, isso, fica nua. Coberta por sua alma, não sentia calor nem frio, a temperatura estava perfeita.
Volta para suas cervejas.
A claridade e o vermelho com amarelo fogo lhe reflete na retina, imóvel, com os olhos estalados assiste toda a parafernalha queimar, enquanto chegam os bombeiros, pega um cobertor pra cobrir seus medos e segue até a próxima estação.
Agora mudaria de nome, identidade e religião.

sábado, 10 de outubro de 2009

Coloco um vestido xadrez, me sento pra jogar comigo mesma
Tomo uma taça de doce melancolia
Embebedada por amarga lucidez.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009


Não escondo-me no armário, mas dou de encontro com o confuso do que me expressa ao tentar disfarçar a minha loucura.
A vida e seus tantos sentidos (ou a falta deles) fez de mim esta implausível mistura, onde flerto com os imperceptíveis detalhes dos instantes que me pertencem, como quem delicia um insexto.
Debruço sobre a janela e aprecio o perfeito que há em algumas imperfeições.
E ainda que o mundo desistisse de mim;
Eu , comigo permaneceria, no agridoce sabor deste meu alimento, nesta melodia , minha eterna canção.
(se passar por aqui, pode me ver dançar pelo salão.)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Em protesto, vou me riscar toda
Pintar todo meu corpo com cores vivas
E ficar nua em praça pública.
Com imponência, equilibrarei as lágrimas em meus olhos, para não deixar cair.
Eles não as merecem.
Se acaso cair alguma, trato de lamber e engolir, me alimentará.
Mas no chão, não deixarei cair.