quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ela se reconhece no espelho.

Nesse momento...

Ela só queria ter uma máquina nas mãos e sair fotografar.

Tudo ficaria melhor.

Ficaria sim.

A vó dela tinha uma boneca.Ficava na estante.


A boneca não era bela.
As vezes se assustavam com ela.
(não servia para enfeite)
Sério, nem tente.
O brinco estava na sua mão, aquele que a irmã dela fez comprar e ontem mesmo disse que era feio, ah, ele era engraçadinho e parecia uma portona de igreja antiga.
Ta, na verdade era feio.
Talvez para uma porta de uma igreja pequenininha, mas não pra por na orelha.
Tinha um protetor tambem, na qual ela abria e fechava a tampinha incansavelmente, como se surgisse uma saída pras coisas daquele movimento.
La fora a chuva caia e a lembrava de como a vida é grande, de como ela amava aquele som e aquelas gotas.
-Né Nátalin?
-Né.
Ela não queria ouvir, ela queria ouvir a chuva, ela gosta de viver, de rir, de descomplicar.
Esse espírito livre ainda a atrapalharia em muita coisa.
Ela se fez assim, na hora da dor, ela optou por ser forte e crescer, talvez tenha crescido muito para algumas coisas, vai bater a cabeça no teto.
Porque estamos brigando mesmo?



imagem: Andrzej.