sexta-feira, 3 de julho de 2009


Agonia, arrepio, sorriso, gelo, fogo, cheiro ,queimação
Agonia desnecessária
Na estante, no instante.
Um corte com navalha na lingua, pra sentir o gosto do sangue.
"És devassa, dissoluta, insana"
Ela podia ouvir do outro lado da vidraça, enquanto levantava
"Profana, zomba dos Deuses e diz não temer o diabo..."
Passos leves, sorriso no rosto, tira um lenço no bolso, vai até o rádio, liga o som, há vários Lps, opta por um blues animado com uma voz exuberante, dançando na ponta dos pés, podia sentir cada nota, como Bb King, que aliás, tambem estava lá, saltou da vitrola (lá devia ser muito apertado)
"Fogueira, é a única opção"
Escutou algo com fogo e vibrou, fechou os olhos em êxtase ao pensar no fogo subindo por seus pés, a partir da li, não ouviu mais nada
Na festa começou a chover, como poderia não viver?
A vitrola nunca esteve tão enérgica, soava entonações antes não ouvidas, era um delírio, desvario, tresvario e ainda a chuva estava ali dentro com ela, fazendo um espetáculo no ar!
No canto esquerdo podia ver um arco-íris apontando, e seu sorriso ficou do tamanho dele, foi até lá, dançava agora com um lenço de cada cor, tinha sete, feixes de luz tocavam seu corpo, brincavam com a matéria, desobedecendo as leis, entravam dentro de seu corpo, e a música não parava, nos solos quase infartava! E mexia os lábios de acordo com a canção, uma dublagem em frenesi, seu corpo agora absorvia as notas.
Sente um calor incontestável, os panos caem, agora tinha algumas pétalas gigantes penduradas em algum tipo de teto (sabia que era o céu) o tecido macio passava por seu corpo e um havia caido como um véu, mas não se preocupava com a vestimenta, estava verdadeira-mente a dançar.
Não tinha nada ali para atrapalhar, podia ver algumas estrelas embaixo de um chão de vidro, a imagem era magnificamente bela, dançava sobre elas!
Convidou o sol tambem, raios amarelos sobre a cascata fina de chuva, era a coisa mais linda de olhar!
O tribunal atras do vidro cada vez mais pasmo
"Pois condenai-a agora"
O sorriso nos labios não a deixava, não conseguia, não, era tão lindo!
-Está cada vez pior, deem mais uma dose de rivotril.
Nesse momento entra dois homens de branco na sala estofada, ela em transe, não percebe nada, só gostaria que dançassem com ela, eles pareciam sempre tão tensos!
Nua e branca, de pé, patente à meia luz daquela sala
Em alguns metros quadrados, podia se ver a menina caindo em sono profundo
Triunfo imortal
Eles teriam sua carne
Mas não podem apagar uma alma que arde.
A música continuaria...
Ali em profundo sono, acha mais alguns Lps.
Sorri e os olhos estalam.