segunda-feira, 20 de julho de 2009




Conto algumas coisas, conto, canto, invento fábulas...

Tiro blocos de felicidade do bolso
Fatio em pedaços e a como como um bolo

Giro, grito seu sussurar em meu gemido
Esquivo
Me pinto com guache
Sinto sua saudade
Atuo constantemente em palcos vitais
Felicidade atracada no cais
Mas basta um segundo de poesia
Roda, roda, rodopia!
Me leio e me tomo
Te tomo e te brindo
Com a menininha do cabelo liso, eu brinco.

(Fábulas me inventam, coisas contam aos contos, que me contam algumas coisas)

A primeira vez que me assassinaram
Tive certeza que não queria morrer
Optei por encher um balão de gás lacrimogêneo
solta-lo e viver
e viver...e vir ver.

Todas as pessoas já foram dormir certamente
Talvez eu não durma nunca mais
Talvez eu dê um jeito nessa prisão
Logo amanhece, vamos a luta...que luta?
Pessoas mortas em meu dia já não me surpreendem mais, nem me fazem chorar, será que eu fiquei como eles?
Enquanto espero que os remédios façam efeito, tento inalar o pouco dos momentos que me fazem, imagino se a vida fortalece ou se tapas constantes na cara me faça marionete.
Minha mãe nunca me disse nada sobre isso.
Meu pai estava fazendo alguma coisa que não era me orientar...
Talvez estivesse em algum bar.
Não deveria estar escrevendo coisas melancólicas, ele esteve ao meu lado todo o tempo, suas mãos em meus cabelos me mostram o que ele nem precisava explicar...planos, risos, meu nariz e seus olhos a nossa frente, a vida dentro da porta. Música nas paredes, delícias estampadas em meu vestido de manhã.
Gosto do cheiro que me fica (aquele, o da nossa inconstância)
Vou fugir daqui, onde alguem me entenda, onde não precise explicar minha insanidade, onde os gritos não sejam abafados, onde eu possa dançar por todos os lados.
Seria eu uma pessoa horrível em não viver sua vida e viver a minha?
Seria eu uma pessoa horripilante em não poder voltar o tempo e te dar uma vida nova?
Eu posso ser horrível desta forma?
Sentada na janela vendo a vida amanhecer, as dúvidas se perdem nas cores solares, ficam amareladas, já se dissolve...
Ela vem com uma cara de brava, tipo, você não para em casa, eu tenho pés amarrados e você me deve, ora, amarre os seus, por mim, não, não posso estar escrevendo isso dela, não, não mesmo, perdão por isso, eu a amo, eu sei que não gostaria que fosse assim, eu queria afundar suas frustrações, eu queria te ver nascer, eu posso tentar ser sua mãe?
Eu reclamo da dor e dos tantos remédios, ela resmunga algo como vá procurar cura na rua....eu gostaria, eu vou, ela poderia ter parado por aí e ter se deitado, cresceria a vontade da insanidade, não precisava ter voltado com líquidos pra me curar, feitos por ela, esquentados por ela, o que eu faço por ela?
Não gosto de ser adulta, não tenho cacife pra isso.
Bom dia dor, vamos tomar um café.