quarta-feira, 22 de julho de 2009

As vezes eu fico assustada com os monstros que eu crio
As vezes gosto de ter que mata-los
Sempre rio pro espelho quando ele me conta suas tempestades, que sempre acaba rindo pra mim tambem
Embalo minhas dores em caixas coloridas e as coloco bem bonitas em algum lugar que eu nunca me lembro depois.
Nenhuma roupa coube em mim
Vou sair sem roupa pela rua
deixar os ventos frios passarem sobre e sob a pele
Quero rir da cara de espanto das pessoas
Hoje minha unha quebrou, lascou em carne viva
E a unha ficou pendurada, se eu tirasse devagar seria tortura demais
Arranquei com tudo.

Onde acho sentimento sem larvas?
Meus olhos pretos passeiam por toda a vastidão do mar de cabeças
e meu cérebro cinza pensa por que as pessoas complicam a beleza da simplicidade.
Confundem e a distorcem.
Você quem me bateu primeiro
Eu só revidei
Não, foi você, eu te bati porque você me bateu.

Ela então assumiu toda a culpa e decidiu recolher todo ódio alheio pra não propagar
Não era uma madre, na verdade de santa poderia se comparar com o que estava do dedão da Maria, embaixo da unha
Mas decidiu que seria a absorvente de ódios
Assim não teria continuidade e as flores do jardim cresceriam coloridas graças ao seu adubo
Como um trem num trilho, tudo vinha a sua direção, batia no peito, era terrivelmente doloroso, mas ela absorvia com bravura.
A matavam-na a cada dia com beijos e abraços falsos
Com facas penduradas em suas costas
Enfestada de almas compradas e ganância roxa em sua aura
Engasgava com cafés ofertados, empreguinados de chumbo
Ela andava com dificuldade e respirava em quartos de segundo, não sabia ao certo quanto tempo havia se passado, talvez uma hora, talvez mil anos, estava carregada demais e era a hora de acabar com toda a nojeira que estava alojada em seu corpo, não suportava o cheiro.
Afundou com a bebida e escoou pela pia da cozinha, foi no esgoto que os ratos a mordiam, mas era sua sina, chorava de agonia, mas engolia cada rato que via.
Caiu em um rio, a água cristalina deu uma sensação que a muito não sentia, achou uma grama tão verdinha que teve vergonha da sua podridão, subiu até o mais alto penhasco deste mundo, com um sorriso de rainha sentiu que o vento estava a abençoa-la, abriu os braços como para abraçar o mundo, e se jogou, por um instante achou que estava voando.

Finalmente as pessoas teriam paz.