segunda-feira, 3 de agosto de 2009


Quando foi mesmo que perdi a doçura?
Será que ela se foi junto com meus cabelos?
Talvez seja inútil ter certeza, na dúvida pode haver pureza?
Pureza ainda me basta?
Não me escondo mais de mim, sou a falta de um querubim.
Sou eu que danço descalça na sala sobre cacos de vidro
Eu que digo loucuras de madrugada no seu ouvido
Eu que encaixo minha alma nua na sua
Liberta de qualquer armadura
Ou seriam aquelas estrelas marotas sorrindo;
Vendo o jardim que elas plantaram florindo?
Não quero saber demais.
E não é falta de coragem na minha bagagem
Ainda prefiro tatear
(e me afogar)
Do que a física me explicando a profundidade do mar
Ainda prefiro o amor da nossa casa
Com o ventilador no teto que vamos colar
(misturando o seu, junto ao meu ar)
Do que toda matéria que um dia alguem poderia nessa vida juntar.
Eu matei um homem!
Matei sim, o sufoquei, implorou por ar, mas eu sorri e continuei, logo após a alma dele saiu, o tom de pele já não tinham rubros de carmim, aí a alma dele entrou em mim.
Tinha conhecimento, linear sabedoria, familia, ia trabalhar todo dia, mas não era o suficiente.
Não tinha dinheiro e ainda sim, sorria o dia inteiro, comia o pão que o diabo amassou e ainda agradecia ao Senhor, se o trabalho foi todo do diabo...coitado. Não aguento falta de reconhecimento. O matei mesmo.

Quase matei uma criança tambem, aquela voz de gente que não sabe ser gente me irritava, fazia perguntas demais.
Achava que podia pintar as paredes, achava que poderia ser o super-homem, achava que poderia escrever super homem com hífen.
Um questionamento sem fim, porque é assim? Porque não pra mim? Porque tenho que obedecer tio? Porque não posso ter, tio?
Um saco, e ainda nem sou irmão da mãe dele, tio de cú é rola.
Então pra economizar, iria matar já daquele tamanho mesmo, gritei no seu ouvido primeiro até ficar surdo, arranquei seus olhos para me certificar que realmete não enxergaria, aí já não precisava mais mata-lo, a bondade do homem que assassinei outrora, por algum segundo aflora.
Mas, não enxergaria mesmo e não ouviria, pra mim já estava bom.
E a sua luz, roubei metade pra mim.

Estuprei a Joana, ah, aquela cara de sacana não me engana! Nem a conheço direito, mas não tem problema, meus julgamentos sempre são certeiros. Anda com aquela turma lá, todos dizem que sim, é uma vadia, então deve me dar. Queria era matar, viver pra que? Gostava muito de meio ambiente, que não combina com o petróleo, ia se meter numa daquelas escunas de tontos que se matam por baleias e acham que estão salvando o mundo, iii, muito trabalho.Mas não matei, estava com algo de bom na veia e esperança no estômago, então, só uns traumas já a fariam acordar, quando me sentiu gozar, chorou, a ramificação central do seu cérebro atrofiou, e o excesso da evolução veio para o meu. Só teria uma boa bunda de serventia, poderia até virar uma celebridade se quisesse. Nem que trabalhasse 100 anos como bióloga conseguiria o dinheiro que a bunda a proporcionaria. Uuuh, eu sou muito bom com as pessoas as vezes.
Dona Bunda poderia ser o novo nome de Joana.

Meu cérebro já estava pesado, meus sentidos aflorados, uma confusão de bom e mau, de certo e errado que me fazia chorar e rir.
Mas eu seguia a linha, minha realidade moldada assumida como perfeita, divina e dotada de poderes superiores, precisava de respeito, medo e reverência. Não iria admitir alguem que abafasse minha voz.
Assim eu criei mortos-vivos, surdos-mudos e futilidade mundana.

Sou um gênio, eu sei.

Passar bem.