segunda-feira, 17 de agosto de 2009


Ele tem que trabalhar
Ela tem que ganhar mais

Os papéis tem que estar em ordem, e são tantos
Ela queria morar com ele e teve que conhecer o Senhor Fiador, parente do corretor
Senhor Fiador sempre sério, andava com paletó até no sol e tinha uma pasta preta
Cheia de dinheiro, Senhor Fiador era afiado e tinha dinheiro na maleta
Um bigode esticado e um pentinho no bolso, amarelado

Ela tem que se prostituir
Ele tem que entrar na fábrica cinza e cobrir as cores

Inconstantes e errados
Tiros por todos os lados
Quando eu tiver sessenta anos poderei entender
Poderei sim, rir e gargalhar de mim
Tão sonhadora, pobre menina
A vida não é tão fácil como acha

Se não é fácil, quanto custa sorrir?
Senhor Fiador nunca sorri.
Pobre Senhor Fiador, cheio de dinheiro na maleta
Toda noite, toda noite, sonha com o boi da cara preta.
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Não é fácil lidar com esse furacão dentro de mim
Talvez eu precise de alguns calmantes pra atravessar o oceano.