quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A menina tinha medo de crescer tanto e bater a cabeça no teto
Ou de diminuir tanto que só acharia passagens junto aos ratos
De tanto coma-mes e beba-mes por conveniência
Mandou tomar no cú a jurisprudência
Tratou de ser ela mesma.

Foi feliz a vida inteira.
Tenho um caso de amor comigo mesma
Sempre me desculpo, me perdoo
Me absolvo

Me alimento da loucura
(deram-lhe este nome)
E sempre a coloco fatiada em meu jantar
Engulo tudo e observo meu corpo degustar
Jogando pela diversão
Já disse que rio do diabo?

Essa panela anda com ingredientes que eu não coloquei
Uns elementos juntara-se com outros, que geraram outros
E continuam em mutação

O gosto?
Não sei se ainda há muito açúcar...mas há.
Sinto a pimenta, e não sei dizer ao certo a quantidade
(Páprica doce e picante, à vontade)
Cimento enfiado na minha garganta me amolece
Depois fortalece.
A quantidade certa de sal
(as vezes choro tanto que o mar que eu faço desanda o salgado)
O cheiro do alecrim, o cheiro (do) verde
Danço tangos com a salsa
Solto os louros no ar
O fermento em demasia
(quem derrubou o pote? Ou eu caí no pote?)
O coloquei nessa panela para ferver
(E como engrossou o caldo)
Está colorido, cheio, com temperos novos e sabores exóticos antes nunca degustado
Luz, e ainda nela posso ver tanta luz
Será alguma técnica nova, senhora cozinheira?
(Tenho um caso com o desencontro)
Me assusto, me encaixo, me encontro
Papilas em evolução, para aguentar o gosto que ainda não conheço
Não vou morrer envenenada
Gosto dos venenos.

Não sei o final, e nem o que vai dar tanta mistura...
Mas não estou preocupada
(Pangramas em uma palavra)
Engulo o tudo.
De dentro da panela, agora, me misturo com ele
E posso ver o mundo.
(dez anos ou um segundo?)