terça-feira, 8 de setembro de 2009

Já faz algum tempo que já não sou a garota do espelho
Desconfio que minha alma já não cabe mais lá dentro
Ouço meu acalento
Mas nunca me contento
Já faz algum tempo, que preciso gritar
Gritar e berrar
A calma nunca é suficiente, nunca me contento, pra que me cutucar?
Espelho masoquista de merda.
Talvez eu goste de sangrar, procurar e procurar por ar.
Eu quero a excitação áspera de ser quem eu sou
Nem na escuridão quero fugir de mim mesma. Não precisa amor.
Optar covardemente pela cegueira seria não ouvir os gritos
Mas quem grita, alem de mim?
Depreciativos
Acho que mais para depreciados, desprezados, desacreditados
Desonrados
A culpa é minha? A culpa, que culpa, de quem é a culpa?
Culpa minha se nem de mim eu tratar de cuidar
Se eu ficar sentada com vestido branquinho e reluzente de tão limpo, com cheiro de alvejante da minha mãe, e uma enorme etiqueta pra exibir para minhas amigas, vendo o trem passar, sem ao menos um arranhão, um tapa na cara, um porre e alguns nãos.
A inquietude paralisada, presa, imóvel e inutilizada
Por mais que tente, meus olhos não deixam de brilhar e quando me levantar, atearei fogo às minhas antigas vestes.
Quero acordar toda manhã contigo e fazer amor, pra me lembrar de quem eu sou.
Pra sorrir orgulhosamente de quem somos e do mundo que temos, dentro da gente.
E do nosso espelho, que nunca conseguirá nos refletir totalmente
Me molhei toda, mas se não esquecesse a janela do carro aberta e tivesse que sair correndo no meio da chuva para fecha-la, não seria eu. Seria apenas mais uma pessoa seca, vendo a chuva da janela.