segunda-feira, 14 de setembro de 2009


Gosto de imaginar como seria se eu fosse mais alta e a minha voz mais grossa, se a cidade fosse feita de gelo e o mar sempre quente. Se os gatos não comessem pássaros e eu pudesse ter os dois soltos em casa. E lindo seria se pudesse ter uma jardineira logo abaixo da janela, com tulipas vermelhas o ano inteiro e a fachada da casa das cores dela. E se eu tivesse um jardim...com direito a um labirinto nele, onde pudesse me esconder quando cansasse do mundo.
E ainda uma horta, enfileiradinhas, verdes ,amarelas e algumas pimentas.
Poderia então germinar-me com elas.
O jardim daria pra um lago, e tantas árvores gigantes no meu quintal! (uma daria frutos de chocolate)
Alem de eu imaginar se pudesse voar, imagino tambem como seria se pudesse ficar invisível. Ninguem iria me ver e eu iria ficar sabendo de tanta, mais de tanta coisa.
E imagino besteiras, um monte delas, até mesmo se pro cabelo crescer bastasse apenas esticá-lo com força.
Toda vez que vou tirar sangue acho que vou morrer, a enfermeira vai errar, vai entrar ar na minha veia e tudo vai escurecer aos poucos até eu encontrar a escuridão eterna, ohhhh que morte horrível. Minhas últimas visões, uma enfermeira amadora e algumas agulhas em gavetas.ohh.
Mas nunca morro.
E aquelas coisas de mulheres...Que sexo terá meu filho? Qual serão as cores de seus olhos?
O que vou sentir quando olha-lo pela primeira vez?
Um pedaço meu e da pessoa que eu amo.
E como será sua face na velhice?
E tudo aquilo que todo mundo gosta de imaginar também, como comer de tudo e nunca engordar...isso seria bom, seria sim.

Eu imagino coisas perversas, outras pervertidas e outras tão ingênuas que nem valem ser ditas. As vezes imagino se pudéssemos mudar de nome quantas vezes quiséssemos! Eu já teria me chamado Isadora, Isabel, Helena, Maria... e alguma espécie de nome bicho-grilo na adolescência.

E quanto mais chatos ficamos, mais coisas chatas ficamos a imaginar, porque começamos a pensar que tudo é infantil demais. E quando velhos, acabamos boquiaberta com as fantásticas mentes férteis dos nossos netos, sem conseguir imaginar de onde eles tiram tanta imaginação, enquanto esquecemos o quanto já tivemos dela.
Eu quero é poder inventar infinitos contos de fadas, depois contar pros meus filhos, pra quando estes passarem a contá-los pros meus netos, eles sim, ficarem boquiabertos.

Mas até lá terei que lutar contra tudo que conspira para poder me corromper. E sem empalidecer!
(Exterminar o tal do MMDC)