sexta-feira, 18 de setembro de 2009

www.flickr.com/natalin_guvea

O carro anda, eu fotografo, os postes estão ficando pra trás e a cidade cada vez menor.O amor invade e preenche todos meus sentimentos esponjosos.
Me sinto forte, feliz e forte.

(No riscar das mudanças, compassos metamórficos desenham o círculo perfeito da vida.
E neste ciclo do destino eu me envolvo, num giro perpétuo, ao encontro do meu novo ser-sentir.
O vento me sopra pra longe daqui, algum lugar fronteira com a cor da imaginação)
www.flickr.com/natalin_guvea


As vezes me há um arbusto cravado. Daqueles emaranhados , que se tem a impressão de se espalhar por todo o corpo a procura de um pecado, rasgando por dentro, dilacerando formas de sentimentos e traçando alguns machucados.
Um arbusto impiedoso, seco, espinhoso...que se difunde e enrosca da ponta do pé à ponta da mente, dando nó cego até no próprio ego. Trava a garganta, sufoca e aperta o coração. Seus gravetos pontudos espinham a alma, eu grito rouca, e ele escuta cinco vezes mais alto, testo sua serenidade e a calma. Permaneço imóvel, muda, entrelaçada (ele ou eu na armadilha engatilhada?)
Com eles vejo, sinto, penso, percebo e interpreto cada ferimento visceral traçado e a necessidade em conta gotas. A cada pingo de percepção que brota de despretensiosa interpretação, são como finas gotas de orvalho de um verão que chegam pra umedecer esta minha árvore, me permitindo assim, o perdão de mim.

A montanha me chama, um pouco distante, ela me estende um tapete verde na grama, eu posso ouvir seu silêncio, sentir o vento, fazendo dançar meus cabelos...Eu quero subir, sem pressa e sem peso, ao passo do acumulado desejo, ao encontro do que hoje me vejo, minha plenitude e pluralidade.
Eu e a montanha, a montanha e eu, suaves posturas formadas pelo mundo, rochosas essências à mercê do lapidar de Deus.