terça-feira, 22 de setembro de 2009

A menina cor de gelo me mandou uma carta:
"Eu já pedi para a emoção que se identifique. Mas nem um sussurro, uma mera palavra, ou um xilique. Permaneço perdida neste monólogo sem platéia e reação, de cara a cara com a face da razão"
Foi aí que comecei a correr, comprei um envelope e chorando coloquei um estilete embrulhado num bilhete, enviei a correspondência (com um selo vermelho).
E eu, que as vezes queria impedir a forma com a qual meus sonhos me invadem, a velocidade com que rasgam minha imaginação, fiquei sentada, ouvindo o som do realejo nas fotografias em que me vejo. Me lembrei do que havia escrito no bilhete, peguei um giz e pus a escrever na parede:
-Se por ventura alguém me perguntar se ainda existo, responderei: Em mim, onde uma morre, outra ressucita.

Foi assim que recebendo a carta, cortou os pulsos.
(sem nem uma lágrima sequer)