segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

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Mais uma vez não sei o que sinto
se minto
se sorrio
A eterna procura pelo fim aprazível
por palavras agudas
mudas

Talvez nos próximos cinco minutos
que nunca chegarão.
E eu ficarei tonta, de tanto rodar.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Não sei por onde você anda
Mas quando me encontrar
Tire o salto
a maquiagem;
Me mostre os cachos
Soltos
As mãos sem esmalte
Só com seu cheiro
Façamos uma fogueira
e vamos assistir as máscaras queimarem
Tomaremos cervejas.
Quando me encontrar;
Traga-me seu coração na mão
Um beijo como um tiro no peito
A poesia embaixo do cabelo
Assim que eu sinta, na nuca
O coração
Jogaremos os fardos
Jogaremos fora os dados
Lamberei seus ombros cansados
Neste momento nem se lembrará do que é ferida
Minha querida
Permita que por um instante
Eu a reconheça
Não me deixe
Não me esqueça.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

E tudo chorava pela vidraça.
No mínimo uma marcha fúnebre tocava em meu ouvido.

Silêncio, silêncio.

Hoje estou de luto, hoje saí de casa inteirinha de preto, tem algumas listras brancas no casaco,  hoje estou de preto, hoje sou inteira ausência de cor.
Estou bonita, elegante, indo ao velório do amor que eu matei.
Tomara que sirvam café.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Das minhas facetas, talvez, só eu entenda

Dos meus sorrisos, despencam lagartos e brilhos
As minhas flores são coladas na pele
Com raiz saindo do umbigo
E la dentro dos meus cabelos
Há tantos desejos
Sonhos guardados
Alguns achados
(E alguns disfarçados e charmosos medos)
Mas eu sempre os pego brincado
e se travestindo
com o roupão de cor vibrante da forte realeza.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Foto: clique aqui

Vejo você chegando, reclamando da bagunça, trazendo aquela fome absurda e as risadas das bobeiras da vida, questionando minha irresponsabilidade
A massa mastigada e podre da irresponsabilidade, que está revirando meu estômago.
É contraditório esse pote do meu tamanho, as vezes gozo tanto, as vezes queria me afogar num vaso sanitário

E as palavras que me confortam
Hoje, SÃO ABELHAS PICANDO MEU OUVIDO
machucando tudo que encontra por dentro
Rindo do pranto mordido

nesse momento
alem das vespas que cospem amargo

éramos outros
éramos sóis.

Minhas doçuras infernais
Sua loucura aqui, jazz
E meu âmago estampado em jornais.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sou parte do meu erro, sou inconstante até no defeito, faço, rio, depois me deleito, acordo me amando e achando que minha ressaca é o melhor que há em mim.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010



Minha boca quase nunca responde ao meu coração;
Acho que por isso preciso tanto da fotografia, música, chuva, e almas grandes.
Depois de um tempo, você fica exigente demais pra algumas coisas, o paladar fica apurado...
Desacostumei com a pequenez, é como se o que está dilatado, só se modifique se for pra crescer ainda mais e sempre mais.

Ás vezes sinto falta da embriaguez, mas lucidez nunca me caiu tão bem.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Mas faço.
As coisas em certos momentos ficam intesamente de alguma cor imprecisa, talvez esverdeada
Essa minha glória íntima que me arrasta pelos cabelos, as vezes dói, as vezes é multicolor.
Tropeço na repugnância, no desprezo, perplexa, vou vivendo, vivendo, vendo.
A raiva que me faz falta, talvez não me faça mais fraca
Em silêncio tenho pena de tudo, de tudo, colérico é o ar vermelho que me sobe ao cérebro
E como se em progresso de algum processo instântaneo, um doce ácido é liberado...um martírio de compreensão e em meus olhos nascem ternura.
As pessoas são tão ridículas
Tão ridículas
Tenho vontade de chorar, de rir.
-O que é isso? Porque está chorando?
Estou cantando.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010


Fotografar me mantem viva
Por isso ando assim;
meio morta.
Com medo dos monstros fora de mim
Me vi de cima
chorando
esperneando
caída ao chão feito uma garota mimada

Fiquei com vergonha
E saí a procura
Da mulher que me encantava.

Ao menos tenho seus braços pra me jogar
Pra fazer todo esse drama
Um mar.
Ao menos ali me protejo
E os monstros perdem sua comida favorita
Meu medo.

terça-feira, 3 de agosto de 2010



E eu que estava em frente ao espelho
Pude me ver, meio cinza
Meio embrutecida
Pele dura e petra (pesticida)

Na minha veia aquela dose de naquim
Não chegou ao coração
Dissipou - Em frente ao espelho me vi correndo pra qualquer direção oposta ao sol
Realidade me faz subir uma veia no pescoço e meu olho não para de pulsar desde então
Aquele lápis enfiado na membrana timpânica me fez enxergar
O vidro desembaçar
Guardei aquela cápsula de aquarela
Tomei, num copo grande
E lembrei que as cores...são o que me tornam gigante.


(Para minha grande amiga, Elisa Alves)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Carta engarrafada ao mar:
e se eu for a primeira a voltar e contar sobre a morte?
E se eu for a primeira a morrer e contar sobre a vida?

(não danço mais em vão)
Hoje acordei onde estou
Hoje acordei e me vi sem relexo no espelho, nada mais está alheio, está tudo goela a dentro...

Casei bêbada na praia
Sem aparente véu nem altar
Óra se Deus não estava lá em forma de mar
Minha lua-de-mel foi num hotel barato, sem café da manhã e sem nenhum centavo no bolso
Um pneu furado, beijos, alma, risos e a maior felicidade que ja senti
Não abandonei os cigarros
Fiz amizade com os meus pecados
E ainda oro toda noite.
Não parei de perder as coisas
Me enfio ainda em becos e fico horas a procura de saída
descobri que gosto.
Ainda não tenho paciencia pra pequenez
e só me rodeio de quem quero, ainda guardo meus enigmas e quebra-cabeças na antipenultima gaveta
as que eu não quero, ja perderam a voz, o amargo e o espaço...
O trem percorre paisagens exurbitantes, sinto cada cor que com a velocidade
se mistura e a aquarela parece não ter fim, hoje vejo o trem de dentro, dentro de mim

Fumando um cigarro escondida e tomando um café quentinho na varanda
Penso sobre a solidão...gosto do tom, do sereno do vento quando toca nos meus cabelos, do cricri dos grilos do mato ralo, do som do trem ali embaixo
Mas te queria aqui comigo, filosofando do meu lado, sendo meu abrigo
Gosto da figura do meu vício
do gosto do cigarro nos labios, do cheiro das suas blusas, dos seus devaneios e mistérios
Gosto do sorriso, da forma imponente como pausa, como se movimenta no mundo,como me disseca, como come meus sentidos, boca, útero e ouvidos
Gosto da entonação ao telefone, gosto de como dorme de como geme e de como faz-me querer que ele esteja na minha íntima solidão.

Hoje me vi aqui
onde nunca mais hei de esquecer quem sou.
Insana e inteligente.
Ando bem comida e bem vestida
Transvestida de mim
Roupa que você não se acha em nenhuma boutique, em nenhuma vitrine.

(pessoas normais são todas chatas
nascem, crescem se reproduzem e morrem
pessoas interessantes são todas mais, a florescer, vivem a beira do cais, são imorais, e alem do mais, são imortais.)
Eu fico a me assistir aqui da arquibancada
através de mil mulheres que dizem mais de mim do que minha saliva nociva
Os uivos são lobos famintos da minha mente indecente
Estou rouca de procurar, eu juro que queria descansar
Mas pedindo pra ficar
Pra passear seus dedos pelo meu cabelo
Pelo pêlo
Pelo meu clitóris.

Pedindo para beber
para não desfazer
Pra embriagar
Pra gozar
pedindo
pedindo

- malditos vícios -

A garrafa vazia feita testemunha
E suas digitais pelo meu corpo
Quando juramos juntos naquela noite molhada de julho
A região dos meus olhos doíam e, roxos, eu os via pelo espelho
Pelo pêlo

Pelo meu clitóris.
 
-arrebatador-


Grudentos sonhos, confusos e caramelados
e toda essa fumaça...não acho graça.
Debochou sobre sua falsa força
E dos seus problemas sem importância global
É de que tamanho seu desastre mundial?

Riu, mas -aquele- sorriso jovial
Intenso, lindo, espontâneo e só seu
Se desculpou por roubar a atenção.
Ficou com preguiça de ter que se explicar;
Saiu à francesa.
(por debaixo da mesa)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

As pessoas deveriam comer menos e se alimentar mais.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

-O morno é pouco, não faço questão.
Já dizia a menina de pernas tortas, dançando nua, nas beiradas do coração.

domingo, 6 de junho de 2010

Eu queria tambem umas cores marrons e verdes, meio que em tons de sujas
Uma calça jeans antiga, um som na vitrola, você na varanda
Os seis pés na grama
Uma casa no céu, um jardim no mar, um desejo de estrelas
Um por do sol.
Um sol a se por.

Tempo e o mistério. Gritos e cantos. Céu e beijos.
(Voz e silêncio)

Isso tudo, na minha caixa colorida de desejos.

quinta-feira, 3 de junho de 2010



Ser mãe não é uma tarefa muito fácil
Eles choram
Eles choram bastante a noite
Os peitos dóem
A chupeta cai
Cólicas, existe cólicas nos nenens, muitas cólicas!
Esquentar a água, pra limpar o coco
Medo de alergia
Medo de ele parar de respirar
Medo dele afogar
Medo de errar
Ele dorme, abraço o pai quentinho
Ele chora
Eu volto, eu pego, dói o que filho?
Ele se desmonta nos meus braços
Fecha os olhos, e de canto, me dá um sorriso

E eu, penso
Meu Deus, ser mãe, é maravilhoso!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Ele chegou!!!

Simm, ele chegou todo lindo, saudável e gordinho!
Os olhinhos dele são como os meus, apertadinhos e brilham, o nariz arrebitado, a boca e o loiro são do papai.
É dele a beleza mais encantadora que já vi, os movimentos mais doces que já presenciei em toda minha vida....
Sofri, eu digo, e como sofri nesse parto, meu Deus do céu! Como me rasgou a madrugada em dor, meu corpo não colaborando, somente me estilhaçando em cada contração, passei quinze ininterruptas horas sentindo isso, auxiliada pela indução, que fez o trabalho de dar mais dor e me arrebatar todas as entranhas! (e mesmo assim não escapei do corte e das dores que irão vir)
E agora penso...como eu passaria tudo isso novamente, só pelo brilho desses olhinhos rasgados e por essa mãozinha enrugadinha com unhas longas, por essa cor toda que contrasta todo esse cinza do mundo.
Meu pequeno grande homem...meu pedaço de céu, é dele que vou fazer diferente, ser gente, espalhar cor, saber que não é só ao seu redor que há dor, é ele, por ele, pra ele.
Meu amor em forma de gente.

quinta-feira, 6 de maio de 2010


E o que restou do meu soul?
Pra onde fui se que pra onde o vou?
Mais uma vez esvanziando-me
Pra encher-me de mim, enfim
Sinto falta da caneca cheia de gim
E essa música no corredor
Essas pessoas de pijamas mofados
passando por mim
Querendo entrar sem permissão
No meu útero
Nas minhas entranhas
E cada nervo, osso, vaso dilatado, buscando imunidade
Se é mais justo sofrer?
Não me toque se não for por sagrado e sublime

Não me subestime.

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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Essa agonia da manada
que insiste em sorrir pro nada
Eu tento achar um motivo pro motivo
O triste de tudo isso, é isso.
Segundos maquinais, tomando um café descrito: banais!
E as moscas mortas que herdei, boiando na caneca...
O triste de tudo isso, é isso
Descobri que tenho câncer nos olhos e ouvidos...
Mas, estou tentando manter o coração vivo.

sexta-feira, 16 de abril de 2010


Ela botou a mão sob as coxas, ligeiramente sentiu sua pele seca, úmida, levou os dedos até seu mais íntimo
Ela parou sobre o ventre. Incontida, subvertida, um tanto auto-submissa
Saciando-se de infinito, perguntou-se por onde mesmo havia andado por esse tempo.
Molhou-se, como se num beijo.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Pensou que a entrega causaria conforto
Uma boboca, como poucos.
Ela sentiu o espinho rasgando suas vértebras, seus nervos. A voz dele, indecente, no ouvido, eram para todas as pessoas com vontade de ouvi-lo.
Ela ofereceu a vida inteira.
Ele deixou a calda escorrer sobre ela.
Ela deu-lhe sua fome. E fez o caminho, mas era com tanto carinho...de cima a baixo, querendo aquece-lo.
Ele parou, pegou o balde de gelo, e enfiou o pau na água.
O frio doeu.
Ele gosta de dor.
Seu eu-lírico ofereceu mais calda quente
Ela então, estaria se aconstumando com a ambiguidade e seu sadismo, enfiando o pau dele na boca.
Ou não.

terça-feira, 13 de abril de 2010

(Quem passava de avião podia ver a menina à deriva em seu barco azul, deitada de barriga pra cima, assistindo o céu que programava, sorrindo, com seus dois motivos)

Não gosto que me vejam nua
Os que olham pelo vitrô não entendem meus restos deixados nas sarjetas da rua
E eu deitada nessa cama imensa a olhar pro teto, fazendo projetos, fazendo desejos, fazendo de conta que me esqueço dos medos
Os sonhos me empurram por ladeira abaixo
Pela tardezinha com o frio fazendo formas no céu, vejo a cor cinza azulada do final do dia
Azuleja a superfície do meu oceano
Tento, reluto, remexo
Mas não consigo me afundar, como bóias fixadas em meus braços, ainda me prendo
Inventada ventania
Como então, simplesmente deixo-me estar
Sem nem mesmo saber onde estou.
Mas ao menos ainda, sei pra onde quero ir com meu barco cheio de furos.

(Quem passava de avião podia ver a menina à deriva em seu barco azul, deitada de barriga pra cima, assistindo o céu que programava, sorrindo, com seus dois motivos)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Sangrando, corro para aquele velho baú, donde tiro minha fantasia de mulher maravilha, faltam alguns botões e está tão desbotado...
Não me admiro, não me sufoco, apenas me assisto, jogada chorando em meu colo.
Com as pernas molhadas, ofereço um sorriso de pena, que sem algum esforço me sai.
Curva de um vento, abaixo, protejo-a com as mãos, ouço um desagradável ruído.
São as facas minha menina!
As facas que minhas mãos não conseguem rebater
Olho pra ela, e sei.
Digo: Chora! Vai doer.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Milhões de perguntas sem nenhuma resposta.
Milhões de respostas sem nenhuma pergunta.

E eu sinto muito.
E, eu, sinto tanto.

segunda-feira, 22 de março de 2010


Ando procurando minha fé por becos escuros
Por entre ratos fétidos,  limpos e engravatados
Por entre consecutivos jogos de dados
A verdade que me ofusca o cristalino
Me perfuram os tímpanos
(Engulo meu intestino)

Se te fazem de idiota ou não
Consegue manter o vermelho do teu coração?

Quanto pesa o peso da culpa?
A fila é ali senhor, pode pegar a senha.
Palavras dobradas, salas vazias, santos vestidos de enigmas...
Eu posso jurar, que vi o escrito: Duas pequenas esferas situadas na parte frontal de sua face são as portas de entrada para tudo que você vê.

Alguem havia me dito.
Alguem havia mentido.

terça-feira, 9 de março de 2010

quinta-feira, 4 de março de 2010

Hoje chamei Bukowski pra tomar um café, eu disse: -Charles, que tempos difíceis eram aqueles: ter a vontade e a necessidade de viver, mas não a habilidade.
Ele me sorriu, pediu-me o acúçar, enquanto serenamente, preparava-me uma resposta ao amargo.

Enquanto isso lembrei-me de Merrick
Escrevi-lhe um bilhete: Oi Sr Merrick, não quero falar sobre seu grave problema, mas olha só, ja acabei falando, quero dizer que posso ir ao hospital de cegos com o senhor, e jogarmos uma partida de xadrez, mas sabe, já aviso que não sei jogar xadrez, nem sou cega, mas de qualquer forma quero lhe propor um jogo, talvez dois, enquanto conversamos, podemos conversar sobre a  mente doentia dos homens, mas tambem não sou tão fina quanto sua amiga, a tal da Vitória, mas podemos dar boas risadas.
Se der me avise o dia, menos as terças e quintas.
Até.

(Sobre Charles: Me ensinou algumas coisas sobre a ironia e as verdades cruas.
Junta os dois e segue a vida, minha filha!
Nunca teria um café doce.
E além do mais, cachaça me cairia melhor.)

Então, como de praxe, clamei por Clarice.
Agridoce Clarice.
De algodão-doce são os cabelos de Clarice, posso ver nos seus traços a força fina.
Mas o câncer a levou à forca, vou morrer de câncer tambem sabia Clarice?
Pois é, genética.Triste né? (Tomara que eu morra dormindo)
Ou quando estiver bem ferrada, posso me jogar de algum penhasco , aí finalmente saberia o que é voar.
Será que dói muito morrer espatifada?

Merrick me escreveu: Vamos nos ver quinta! (eu disse que não podia nas quintas)
Bukowski tambem vai, gosto dele, aquele sacana.
Vou convidar Clarice
Será uma agradável tarde.

terça-feira, 2 de março de 2010


Ando nua vestida somente deste velho e empoeirado sorriso
Com alguma fita verde no cabelo
E uma aliança no dedo, para me lembrar do que é verdadeiro

Você acredita que tem tesouros no oceano?
(Aquele grande e cheio sorriso, era tudo o que vestia)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Anteontem, estava com sua avó na sala a decidir algumas cores pro seu berço
(não as que terão realmente)
A tv estava ligada dizendo várias coisas que não são de atenção prestáveis
Mas em meio aos barulhos, pude ouvir uma frase de Elke Maravilha, uma das mais sabias frases que já ouvi na vida:

"[...] ele era tão pobre, mas tão pobre, que só tinha dinheiro."

Guarde isso meu amor.
Boa noite.

Mamãe.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Alguns olhos brilham com os números depois da vírgula
Alguns brilham em riscos brancos nas mesas de mármore

Alguns apagaram-se num cinzeiro
Alguns foram vomitados em algum banheiro
Em alguma rodoviária suja ao longo do cruzeiro

Alguns brilham
Dentro, dentro, dentro
Dentro, dentro, dentro
O tempo inteiro.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010




Com um velho balão nas mãos
E essas botas pesadas
eu prendo a respiração
E me agarro a maldição
de não querer os pés no chão

Ponha-me de volta na garrafa
Onde o mar encontra-se com o sol
Com sorte, passarei desapercebida
Por lá, onde vagalumes não significam nada pra ninguem
Balançarei suavemente
Trocarei as botas por nudez
E estarei pronta, outra vez.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Sempre fiz questão de sentir
Até minhas luvas de frio são sem pontas.
Quando não estou
Eu me mantenho nos bolsos dos meus vestidos
Na minha escova de cabelo
No meu sapato azul, verde e também no vermelho
Me carrego nas orelhas, na cintura e nos pelos

Visto-me de mim o dia inteiro
Me mexo com colher na minha caneca com leite
Me passo com sabonete por todos os dedos
Visto-me de mim o dia inteiro.

Foto: Flickr

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010


Não quero me construir resumos;
Quero ser árvore que desgovernadamente espalha seus galhos em diferentes direções.

Minha perplexidade causa vertigem, submerge-me num retiro individual onde me adestro em ser esta perpétua mutação.
(Tente me arrancar um desassossego, que a falta dele me brotará logo outro, em outro tom)
A auto-percepção vem acompanhada com uma mão dada à sabedoria em distinguir-se, e a outra a frustração de conter-se.
Ora, me calo, pois ninguém sabe mergulhar na essência, dão passos rasos na minha superfície, e molhar os pés não é sentir o oceano.
Não me dito primorosa, sei do que meu espelho reclama, e que o mundo me chama pro servir, não quero estar só em mim.
Tambem não renuncio ao que me tortura
Me lambuzo nesta fartura
Aprendo coisas que mal cabem aqui.
Algumas não compensam engolir, então trabalho em prol de afastar delicadamente o que tenta me pegar a serenidade emprestada, pois minha atenção já foi cólera, e cólera mata.
As minhas palavras continuarão a soar este turbilhão de sentimentos que me invoca esta solução, e não é tomada pela indignação que minha voz se cala. Ao contrário, serve como tapa na cara que me desperta ainda mais para a inspiração de ser.
(Quando engolidos pelo senso de percepção, nada mais no mundo nos é tomado como em vão)

Cada natureza íntima, tem sua particular doutrina sentimentalista, e a inclinação do mundo (para o hábito de distorcer) provém do desafeto sem causa, chaga da vaidade, o reflexo do outro não pode reluzir além do que o nosso emana.
É fardo do qual se alimenta o orgulho, aquele, em não estar satisfeito com o seu próprio sujeito.

Foto: Flickr

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Dia a dia
Nesse podre absoluto, onde ninguem tem um fio de voz pra questionamentos
E eu me debatendo
Estou pronta depois que me envolvi na lama até os joelhos
Esse sol me derretendo
E eu só procurando um pouco de paz
Onde já não existe mais.

Quando foi mesmo que isso aconteceu?
Faz um tanto faz aqui, que quando vi,  já anoiteceu.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A menina emmmmmmmmm: Desenhos de mulherzinha.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010


Meu caso de amor com a chuva é alem da tempestade que causa
é acima de tudo, a beleza com que talha a destruição
Sua intensidade é provocativa
E é tudo tão bonito, serenamente bruto, charmoso e...molhado.

Nunca gostei de permanecer-me seca por muito tempo.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010


Quero conhecer a sua dor
Pra colorir suas olheiras
Não quero estancar seu sangue
Quero bebe-lo!
Brindar o melhor, o melhor do nosso vermelho.

Foto: Flickr

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010


Meus pensamentos escorrem com a água
Na mesma intensidade e dimensão
E a vontade de não falar nada aparece como uma bolha em volta de mim
Saio e me deparo com um cão de guarda própria em meu quintal
Feroz, e nem posso ler seu instinto
Nem entender que não posso acariciá-lo, pois a mordida será automática
Não quero expulsa-lo
Mutuamente sentimos alegria nas noites estreladas e há tanta ternura
Me olha como quem precisa de um afago
Mas ainda me assusto com os latidos.

Foto: Flickr

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010


E o que eu queria nesse exato momento é uma máquina registradora de sentimentos
Sabe-se lá o que registraria aqui de dentro
É tanta coisa e a coisa é tanta
Teriam flores, cores, dores, bruxas, santas
Talvez algum som, saindo em forma de margarida dos olhos na porta da despedida
Talvez, algumas tulipas em brasa
Quando me toca, quando me ama, cama, samba, calma, bamba
Essa máquina era o que eu queria
Ela poderia colocar em forma de pergaminho as escrituras da pele
Espessura ao colo perfumado
Toque ao olhar acetinado, aveludado
Onde encontro tal achado?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Me mate então.
De socióloga não tenho nada
De filósofa não tenho nem a barba
Retalhe meu rosto
E viverei assim
Com a alma acima do pescoço.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010


E eu que estava me acostumando ao caos
Ando me deliciando com a plenitude
Eu que vivia a praguejar a mentira inventada
A beijar a falsidade das sensações emboladas
Andar com armaduras e armadilhas até aos botões
Ando dando de cara com a verdade de mim mesma
Me assusto, me desarmo, me monto em versos coloridos pragmáticos
Eu que vivia a me equilibrar bêbada nos saltos de pregos
Ando sóbria, doce e feliz.
Estranhamente doce
Extremamente feliz.
(Quase feiticeira, é nesse castelo que encanto os desejos arruaceiros)

Quando estou no tempo distraída, sinto o vento passar sobre mim, sopra meus cabelos, me acaricia, e em um beijo, boa noite, bom dia.
Assim se faz minha melodia.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Sequestro um gênio
Faço mais que três desejos
Alem da vaidade vã
E da dor banal
Peço chuva
Peço sal
Faço um ritual
Semeio o amor
Delírio, além do bem ou mal
Trago facão
Paixão crua
Estou te esperando



Nua.
Olhando pelo olho mágico não me vejo no corredor
Aquela velha labirintite voltou
Ando tropeçando nos cacos de vidro que a moça do espelho deixou.



Conclusões.

Você carrega seu filho, ele cresce e se encarrega de cuidar da vida dele
Trabalha, trabalha, trabalha e chega uma hora que o corpo não mais aguentará e a aposentadoria te sustentará
Cuida tanto do corpo, shakes de merda, lipos, e o caralho a quatro, quando se dá por conta está mais enrugada que um maracujá velho de gaveta.
Por isso te digo
Pinte umas cores nas paredes, leia uns bons livros e arrume um bom companheiro de copo;
Você terá calmaria, sossego e brindes o ano inteiro!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

E de palhaça, não tenho nada
Até acho engraçado, posso perder o rebolado
E a platéia delirar de rir
(rubra, rubra)

Mas se quer saber
Pra tanto bambolê
Existe um que caiba em ti
(tititi)

Aí quero ver
Se tem o tal do xaxado
Se vai achar graça no palhaço
Que acha rima com fracasso.

Ácidos temporários
Quem colocou aqui?
Onde eu estava que não vi?
Dissolva em meu café
Antes que eu mate um
E perca minha fé.

(A menina em: A dança do cabaré)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010


Cozinhando a mente em banho maria, não ficará pronta nunca.
Grita que a contradição é contraditória, e que não me verá de joelhos na sacristia das mentes doentias.
Somando o conhecimento de todos os dicionários não se entende um brilho no olho, quanto mais meus dois.
Roda-roda ao som das gargalhadas frenéticas, dietéticas, esqueléticas, tão patéticas.
Apaga o barulho, emudece a luz - de quem ja está cansado da cruz!
Uma pílula e abafa seus transtornos, sem adornos.
(Mas não desfaz o que é intacto)
Me cove, mas não me prove que generosidade é moeda de troca
((Não desfaz o que é intacto))
Para que tantas tintas e pincéis valham por essas paredes manchadas
(((Não desfaz o que é intacto)))
Que os objetos roubados me mostrem um vazio libertador.
Faz por mim. Pai.
Faço por mim, Pai.