sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Anteontem, estava com sua avó na sala a decidir algumas cores pro seu berço
(não as que terão realmente)
A tv estava ligada dizendo várias coisas que não são de atenção prestáveis
Mas em meio aos barulhos, pude ouvir uma frase de Elke Maravilha, uma das mais sabias frases que já ouvi na vida:

"[...] ele era tão pobre, mas tão pobre, que só tinha dinheiro."

Guarde isso meu amor.
Boa noite.

Mamãe.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Alguns olhos brilham com os números depois da vírgula
Alguns brilham em riscos brancos nas mesas de mármore

Alguns apagaram-se num cinzeiro
Alguns foram vomitados em algum banheiro
Em alguma rodoviária suja ao longo do cruzeiro

Alguns brilham
Dentro, dentro, dentro
Dentro, dentro, dentro
O tempo inteiro.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010




Com um velho balão nas mãos
E essas botas pesadas
eu prendo a respiração
E me agarro a maldição
de não querer os pés no chão

Ponha-me de volta na garrafa
Onde o mar encontra-se com o sol
Com sorte, passarei desapercebida
Por lá, onde vagalumes não significam nada pra ninguem
Balançarei suavemente
Trocarei as botas por nudez
E estarei pronta, outra vez.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Sempre fiz questão de sentir
Até minhas luvas de frio são sem pontas.
Quando não estou
Eu me mantenho nos bolsos dos meus vestidos
Na minha escova de cabelo
No meu sapato azul, verde e também no vermelho
Me carrego nas orelhas, na cintura e nos pelos

Visto-me de mim o dia inteiro
Me mexo com colher na minha caneca com leite
Me passo com sabonete por todos os dedos
Visto-me de mim o dia inteiro.

Foto: Flickr

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010


Não quero me construir resumos;
Quero ser árvore que desgovernadamente espalha seus galhos em diferentes direções.

Minha perplexidade causa vertigem, submerge-me num retiro individual onde me adestro em ser esta perpétua mutação.
(Tente me arrancar um desassossego, que a falta dele me brotará logo outro, em outro tom)
A auto-percepção vem acompanhada com uma mão dada à sabedoria em distinguir-se, e a outra a frustração de conter-se.
Ora, me calo, pois ninguém sabe mergulhar na essência, dão passos rasos na minha superfície, e molhar os pés não é sentir o oceano.
Não me dito primorosa, sei do que meu espelho reclama, e que o mundo me chama pro servir, não quero estar só em mim.
Tambem não renuncio ao que me tortura
Me lambuzo nesta fartura
Aprendo coisas que mal cabem aqui.
Algumas não compensam engolir, então trabalho em prol de afastar delicadamente o que tenta me pegar a serenidade emprestada, pois minha atenção já foi cólera, e cólera mata.
As minhas palavras continuarão a soar este turbilhão de sentimentos que me invoca esta solução, e não é tomada pela indignação que minha voz se cala. Ao contrário, serve como tapa na cara que me desperta ainda mais para a inspiração de ser.
(Quando engolidos pelo senso de percepção, nada mais no mundo nos é tomado como em vão)

Cada natureza íntima, tem sua particular doutrina sentimentalista, e a inclinação do mundo (para o hábito de distorcer) provém do desafeto sem causa, chaga da vaidade, o reflexo do outro não pode reluzir além do que o nosso emana.
É fardo do qual se alimenta o orgulho, aquele, em não estar satisfeito com o seu próprio sujeito.

Foto: Flickr

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Dia a dia
Nesse podre absoluto, onde ninguem tem um fio de voz pra questionamentos
E eu me debatendo
Estou pronta depois que me envolvi na lama até os joelhos
Esse sol me derretendo
E eu só procurando um pouco de paz
Onde já não existe mais.

Quando foi mesmo que isso aconteceu?
Faz um tanto faz aqui, que quando vi,  já anoiteceu.