quarta-feira, 21 de abril de 2010

Essa agonia da manada
que insiste em sorrir pro nada
Eu tento achar um motivo pro motivo
O triste de tudo isso, é isso.
Segundos maquinais, tomando um café descrito: banais!
E as moscas mortas que herdei, boiando na caneca...
O triste de tudo isso, é isso
Descobri que tenho câncer nos olhos e ouvidos...
Mas, estou tentando manter o coração vivo.

sexta-feira, 16 de abril de 2010


Ela botou a mão sob as coxas, ligeiramente sentiu sua pele seca, úmida, levou os dedos até seu mais íntimo
Ela parou sobre o ventre. Incontida, subvertida, um tanto auto-submissa
Saciando-se de infinito, perguntou-se por onde mesmo havia andado por esse tempo.
Molhou-se, como se num beijo.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Pensou que a entrega causaria conforto
Uma boboca, como poucos.
Ela sentiu o espinho rasgando suas vértebras, seus nervos. A voz dele, indecente, no ouvido, eram para todas as pessoas com vontade de ouvi-lo.
Ela ofereceu a vida inteira.
Ele deixou a calda escorrer sobre ela.
Ela deu-lhe sua fome. E fez o caminho, mas era com tanto carinho...de cima a baixo, querendo aquece-lo.
Ele parou, pegou o balde de gelo, e enfiou o pau na água.
O frio doeu.
Ele gosta de dor.
Seu eu-lírico ofereceu mais calda quente
Ela então, estaria se aconstumando com a ambiguidade e seu sadismo, enfiando o pau dele na boca.
Ou não.

terça-feira, 13 de abril de 2010

(Quem passava de avião podia ver a menina à deriva em seu barco azul, deitada de barriga pra cima, assistindo o céu que programava, sorrindo, com seus dois motivos)

Não gosto que me vejam nua
Os que olham pelo vitrô não entendem meus restos deixados nas sarjetas da rua
E eu deitada nessa cama imensa a olhar pro teto, fazendo projetos, fazendo desejos, fazendo de conta que me esqueço dos medos
Os sonhos me empurram por ladeira abaixo
Pela tardezinha com o frio fazendo formas no céu, vejo a cor cinza azulada do final do dia
Azuleja a superfície do meu oceano
Tento, reluto, remexo
Mas não consigo me afundar, como bóias fixadas em meus braços, ainda me prendo
Inventada ventania
Como então, simplesmente deixo-me estar
Sem nem mesmo saber onde estou.
Mas ao menos ainda, sei pra onde quero ir com meu barco cheio de furos.

(Quem passava de avião podia ver a menina à deriva em seu barco azul, deitada de barriga pra cima, assistindo o céu que programava, sorrindo, com seus dois motivos)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Sangrando, corro para aquele velho baú, donde tiro minha fantasia de mulher maravilha, faltam alguns botões e está tão desbotado...
Não me admiro, não me sufoco, apenas me assisto, jogada chorando em meu colo.
Com as pernas molhadas, ofereço um sorriso de pena, que sem algum esforço me sai.
Curva de um vento, abaixo, protejo-a com as mãos, ouço um desagradável ruído.
São as facas minha menina!
As facas que minhas mãos não conseguem rebater
Olho pra ela, e sei.
Digo: Chora! Vai doer.