quarta-feira, 28 de julho de 2010

Carta engarrafada ao mar:
e se eu for a primeira a voltar e contar sobre a morte?
E se eu for a primeira a morrer e contar sobre a vida?

(não danço mais em vão)
Hoje acordei onde estou
Hoje acordei e me vi sem relexo no espelho, nada mais está alheio, está tudo goela a dentro...

Casei bêbada na praia
Sem aparente véu nem altar
Óra se Deus não estava lá em forma de mar
Minha lua-de-mel foi num hotel barato, sem café da manhã e sem nenhum centavo no bolso
Um pneu furado, beijos, alma, risos e a maior felicidade que ja senti
Não abandonei os cigarros
Fiz amizade com os meus pecados
E ainda oro toda noite.
Não parei de perder as coisas
Me enfio ainda em becos e fico horas a procura de saída
descobri que gosto.
Ainda não tenho paciencia pra pequenez
e só me rodeio de quem quero, ainda guardo meus enigmas e quebra-cabeças na antipenultima gaveta
as que eu não quero, ja perderam a voz, o amargo e o espaço...
O trem percorre paisagens exurbitantes, sinto cada cor que com a velocidade
se mistura e a aquarela parece não ter fim, hoje vejo o trem de dentro, dentro de mim

Fumando um cigarro escondida e tomando um café quentinho na varanda
Penso sobre a solidão...gosto do tom, do sereno do vento quando toca nos meus cabelos, do cricri dos grilos do mato ralo, do som do trem ali embaixo
Mas te queria aqui comigo, filosofando do meu lado, sendo meu abrigo
Gosto da figura do meu vício
do gosto do cigarro nos labios, do cheiro das suas blusas, dos seus devaneios e mistérios
Gosto do sorriso, da forma imponente como pausa, como se movimenta no mundo,como me disseca, como come meus sentidos, boca, útero e ouvidos
Gosto da entonação ao telefone, gosto de como dorme de como geme e de como faz-me querer que ele esteja na minha íntima solidão.

Hoje me vi aqui
onde nunca mais hei de esquecer quem sou.
Insana e inteligente.
Ando bem comida e bem vestida
Transvestida de mim
Roupa que você não se acha em nenhuma boutique, em nenhuma vitrine.

(pessoas normais são todas chatas
nascem, crescem se reproduzem e morrem
pessoas interessantes são todas mais, a florescer, vivem a beira do cais, são imorais, e alem do mais, são imortais.)
Eu fico a me assistir aqui da arquibancada
através de mil mulheres que dizem mais de mim do que minha saliva nociva
Os uivos são lobos famintos da minha mente indecente
Estou rouca de procurar, eu juro que queria descansar
Mas pedindo pra ficar
Pra passear seus dedos pelo meu cabelo
Pelo pêlo
Pelo meu clitóris.

Pedindo para beber
para não desfazer
Pra embriagar
Pra gozar
pedindo
pedindo

- malditos vícios -

A garrafa vazia feita testemunha
E suas digitais pelo meu corpo
Quando juramos juntos naquela noite molhada de julho
A região dos meus olhos doíam e, roxos, eu os via pelo espelho
Pelo pêlo

Pelo meu clitóris.
 
-arrebatador-


Grudentos sonhos, confusos e caramelados
e toda essa fumaça...não acho graça.
Debochou sobre sua falsa força
E dos seus problemas sem importância global
É de que tamanho seu desastre mundial?

Riu, mas -aquele- sorriso jovial
Intenso, lindo, espontâneo e só seu
Se desculpou por roubar a atenção.
Ficou com preguiça de ter que se explicar;
Saiu à francesa.
(por debaixo da mesa)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

As pessoas deveriam comer menos e se alimentar mais.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

-O morno é pouco, não faço questão.
Já dizia a menina de pernas tortas, dançando nua, nas beiradas do coração.