quinta-feira, 4 de março de 2010

Hoje chamei Bukowski pra tomar um café, eu disse: -Charles, que tempos difíceis eram aqueles: ter a vontade e a necessidade de viver, mas não a habilidade.
Ele me sorriu, pediu-me o acúçar, enquanto serenamente, preparava-me uma resposta ao amargo.

Enquanto isso lembrei-me de Merrick
Escrevi-lhe um bilhete: Oi Sr Merrick, não quero falar sobre seu grave problema, mas olha só, ja acabei falando, quero dizer que posso ir ao hospital de cegos com o senhor, e jogarmos uma partida de xadrez, mas sabe, já aviso que não sei jogar xadrez, nem sou cega, mas de qualquer forma quero lhe propor um jogo, talvez dois, enquanto conversamos, podemos conversar sobre a  mente doentia dos homens, mas tambem não sou tão fina quanto sua amiga, a tal da Vitória, mas podemos dar boas risadas.
Se der me avise o dia, menos as terças e quintas.
Até.

(Sobre Charles: Me ensinou algumas coisas sobre a ironia e as verdades cruas.
Junta os dois e segue a vida, minha filha!
Nunca teria um café doce.
E além do mais, cachaça me cairia melhor.)

Então, como de praxe, clamei por Clarice.
Agridoce Clarice.
De algodão-doce são os cabelos de Clarice, posso ver nos seus traços a força fina.
Mas o câncer a levou à forca, vou morrer de câncer tambem sabia Clarice?
Pois é, genética.Triste né? (Tomara que eu morra dormindo)
Ou quando estiver bem ferrada, posso me jogar de algum penhasco , aí finalmente saberia o que é voar.
Será que dói muito morrer espatifada?

Merrick me escreveu: Vamos nos ver quinta! (eu disse que não podia nas quintas)
Bukowski tambem vai, gosto dele, aquele sacana.
Vou convidar Clarice
Será uma agradável tarde.