terça-feira, 13 de abril de 2010

(Quem passava de avião podia ver a menina à deriva em seu barco azul, deitada de barriga pra cima, assistindo o céu que programava, sorrindo, com seus dois motivos)

Não gosto que me vejam nua
Os que olham pelo vitrô não entendem meus restos deixados nas sarjetas da rua
E eu deitada nessa cama imensa a olhar pro teto, fazendo projetos, fazendo desejos, fazendo de conta que me esqueço dos medos
Os sonhos me empurram por ladeira abaixo
Pela tardezinha com o frio fazendo formas no céu, vejo a cor cinza azulada do final do dia
Azuleja a superfície do meu oceano
Tento, reluto, remexo
Mas não consigo me afundar, como bóias fixadas em meus braços, ainda me prendo
Inventada ventania
Como então, simplesmente deixo-me estar
Sem nem mesmo saber onde estou.
Mas ao menos ainda, sei pra onde quero ir com meu barco cheio de furos.

(Quem passava de avião podia ver a menina à deriva em seu barco azul, deitada de barriga pra cima, assistindo o céu que programava, sorrindo, com seus dois motivos)